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Nesta sexta-feira (30), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicou Kevin Warsh para a presidência do Fed.
Caso o financista e executivo do setor bancário, que já foi membro do Conselho de Governadores do banco central americano entre 2006 e 2011, tenha seu nome confirmado pelo Senado, ele assumirá o cargo pressionado em duas frentes: o desejo do presidente republicano de que sejam promovidos mais cortes nas taxas de juros; e a cobrança do mercado para que o Fed atue de forma independente.
Desde que voltou à Casa Branca, em janeiro do ano passado, Trump vem criticando o banco central americano (especialmente seu presidente, Jerome Powell, cujo mandato termina em maio) e tomou algumas ações contestadas em relação à instituição.
Em agosto, ele anunciou a demissão da diretora Lisa Cook, alegando que ela cometeu fraude hipotecária antes de assumir o cargo no Fed, mas a medida foi suspensa pelos tribunais e chegou à Suprema Corte dos Estados Unidos, onde o caso tramita atualmente.
Outra ação de Trump foi a indicação de Stephen Miran em setembro para substituir Adriana Kugler, membro do Fed que havia anunciado sua saída no mês anterior.
Com sua nomeação confirmada pelo Senado, Miran manteve seu cargo de conselheiro econômico da Casa Branca, em licença não remunerada, gerando questionamentos sobre a independência da sua atuação no Fed: ele tem votado seguidamente por cortes de juros mais profundos.
A medida mais forte da gestão Trump em relação ao banco central americano, porém, veio este mês: em 11 de janeiro, Powell informou que o Departamento de Justiça (DOJ, na sigla em inglês) abriu uma investigação sobre supostas irregularidades na reforma de prédios do Fed.
“A ameaça de acusações criminais é uma consequência do fato de o Federal Reserve definir as taxas de juros com base em nossa melhor avaliação do que será melhor para o público, em vez de seguir as preferências do presidente”, afirmou o presidente da instituição em comunicado.
“Trata-se de saber se o Fed será capaz de continuar a definir as taxas de juros com base em evidências e nas condições econômicas — ou se, em vez disso, a política monetária será dirigida por pressão política ou intimidação”, acrescentou Powell.
Na quarta-feira (28), o Fed votou pela manutenção da taxa básica de juros entre 3,5% e 3,75%, após três cortes no ano passado.
Os Estados Unidos tiveram uma inflação de 2,7% em 2025, bem abaixo do acumulado em 12 meses de 9,1% registrado em junho de 2022, no governo do democrata Joe Biden, mas ainda considerada um patamar alto em um país acostumado a variações de preços inferiores a 2%.
Após a manutenção da taxa de juros, Trump voltou a criticar Powell em postagem na rede Truth Social.
“Jerome ‘Tarde Demais’ Powell recusou-se novamente a reduzir as taxas de juros, mesmo sem ter absolutamente nenhuma razão para mantê-las tão altas. Ele está prejudicando nosso país e nossa segurança nacional. Deveríamos ter uma taxa substancialmente menor, agora que até esse idiota admite que a inflação não é mais um problema ou uma ameaça”, escreveu o presidente americano.
Em meio a essa disputa entre Casa Branca e Fed, analistas conservadores estão manifestando preocupação: em editorial publicado após a abertura da investigação contra Powell, o jornal The Washington Post disse que “caberá ao Senado e à Suprema Corte decidir se o Fed se tornará uma agência semelhante a um gabinete governamental, sob o controle do presidente, ou se manterá um certo grau de independência”.







