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Wedgewood Polls

Instituto admite ter forjado pesquisas que beneficiaram candidatos de esquerda nos EUA

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Instituto Wedgewood Polls admitiu ter fabricado resultados de pesquisas eleitorais nos Estados Unidos; revelação provocou críticas e levou à exclusão de levantamentos. (Foto: CRISTOBAL HERRERA-ULASHKEVICH/EFE/EPA)

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O instituto americano Wedgewood Polls admitiu nesta terça-feira (20) que inventou resultados de pesquisas eleitorais divulgadas nos Estados Unidos nos últimos meses. Os levantamentos apresentavam alguns candidatos de esquerda em vantagem em disputas importantes pelo país e chegaram a ser utilizados por campanhas políticas, jornais e agregadores de pesquisas. A confissão ocorreu após uma investigação identificar irregularidades nos dados apresentados pela organização.

Em comunicado publicado na rede social X, a Wedgewood reconheceu que a maior parte de suas pesquisas não havia sido realizada de verdade. A organização alegou que tudo fazia parte de um grande experimento para demonstrar como resultados falsos poderiam ganhar espaço na imprensa e influenciar o debate político sem uma verificação adequada.

"Nossos números fabricados receberam credibilidade imediata nas plataformas nacionais de mídia", afirmou a Wedgewood. O instituto também declarou que sua intenção nunca foi interferir nas eleições, mas "alertar sobre falhas na fiscalização das pesquisas".

A investigação que levou à confissão foi conduzida pelo FiftyPlusOne, um site especializado em análises eleitorais. Seus pesquisadores desconfiaram dos resultados divulgados pela Wedgewood e solicitaram os dados originais de um levantamento sobre a disputa pelo Senado no Mississippi. Ao examinar o material, encontraram inconsistências nos registros dos entrevistados e nas informações sobre a coleta de respostas.

A senadora estadual Mallory McMorrow, que disputava as primárias do Partido Democrata para o Senado em Michigan, afirmou que uma pesquisa falsa da Wedgewood, divulgada em junho, prejudicou sua campanha e contribuiu para sua desistência da disputa pela cadeira na primária, anunciada em 5 de julho. O levantamento colocava McMorrow com apenas 9% das intenções de voto, enquanto o progressista Abdul El-Sayed aparecia com 46% e o candidato Haley Stevens, com 39%. Abdul El-Sayed ganhou a primária para o Senado.

"As doações secaram. Os voluntários ficaram arrasados e imploravam por orientação sobre o que fazer. Jornalistas me perseguiam com ligações para que eu desistisse", escreveu McMorrow na rede social X sobre o que ocorreu com ela após a divulgação do levantamento falso. A ex-candidata afirmou que os números contrariavam as pesquisas internas de sua campanha e criticou os responsáveis pela fraude por tratarem o trabalho de milhares de pessoas como um experimento. O mesmo levantamento apresentava McMorrow como a única entre os três candidatos democratas que perderia um eventual confronto com o republicano Mike Rogers.

Outro levantamento da Wedgewood apresentou a socialista do Partido Democrata Francesca Hong com 30% das intenções de voto nas primárias democratas para o governo de Wisconsin, percentual superior ao registrado por pesquisas de outros institutos. Hong acabou sendo derrotada na disputa interna do partido e não vai disputar o Executivo estadual.

A revelação provocou reações entre integrantes do próprio Partido Democrata. O estrategista Mike Nellis, que trabalhou com a ex-vice-presidente Kamala Harris, classificou os responsáveis pelas pesquisas como "canalhas" e defendeu que sejam processados judicialmente.

"Eles mentiram sobre os dados das pesquisas, foram descobertos e agora estão desesperados porque cometeram uma fraude", afirmou Nellis à Fox News.

Após a confissão, o jornal The New York Times retirou 15 pesquisas da Wedgewood de sua base de acompanhamento eleitoral. O agregador Decision Desk HQ também excluiu 17 levantamentos, mas informou que a retirada não alterou suas projeções sobre a composição da Câmara e do Senado. Cadeiras de ambas as casas estarão em disputa nas eleições de novembro.

Nesta quarta-feira (21), a Associação Americana de Pesquisa de Opinião Pública (AAPOR) condenou a fabricação dos dados. A entidade afirmou que pesquisas legítimas precisam ser baseadas em respostas reais de entrevistados e ressaltou que, no caso da Wedgewood, as informações foram simplesmente inventadas.

A organização acrescentou que o uso de inteligência artificial para produzir dados e documentos falsos tem dificultado a identificação de empresas fraudulentas.

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