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Paz em xeque

Irã ameaça abandonar negociações com os EUA após ataques de Israel no Líbano

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O presidente do Parlamento do Irã e negociador do país, Mohammed Bager Qalibaf, em imagem de 2021. (Foto: Duma Estatal da Rússia/Wikimedia Commons)

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O negociador-chefe do Irã, Mohammed Bager Qalibaf, ameaçou nesta quarta-feira (8) abandonar as negociações de paz com os Estados Unidos e colocou em dúvida a sobrevivência do cessar-fogo de duas semanas anunciado na terça-feira (7) pelo presidente Donald Trump, após Israel intensificar seus bombardeios no Líbano e Washington exigir que Teerã abandone completamente seu programa nuclear.

Segundo Qalibaf, que também preside o parlamento iraniano, Israel já teria “descumprido” várias condições do cessar-fogo temporário vigente ao intensificar seus ataques contra o grupo terrorista Hezbollah, aliado do Irã que atua no sul do Líbano e realiza ataques contra o norte de Israel, enquanto os Estados Unidos teriam violado o acordo ao exigir que Teerã abandone seu programa nuclear.

"Nessa situação, um cessar-fogo bilateral ou negociações seriam irracionais", disse o negociador, de acordo com comunicado divulgado nesta quarta.

O impasse sobre o cessar-fogo começou após Israel desferir o que descreveu como os “ataques mais intensos” contra o Líbano desde o início do conflito em curso contra o Hezbollah. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que Israel mantém o "dedo no gatilho" e está pronto para retomar os combates contra o Irã "a qualquer momento". Tanto Israel quanto os Estados Unidos deixaram claro que o cessar-fogo anunciado nesta terça-feira não abrange o Líbano.

Sobre o programa nuclear iraniano - um dos principais motivos alegados por Trump para a atacar Teerã em fevereiro -, as posições seguem opostas. Trump afirmou que o Irã concordou em interromper o enriquecimento de urânio, material que pode ser utilizado na fabricação de armas nucleares, e a Casa Branca disse que Teerã sinalizou que entregaria seus estoques existentes. Qalibaf, no entanto, sustentou que o Irã tem o direito de continuar enriquecendo urânio conforme os termos do cessar-fogo.

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