
Ouça este conteúdo
O governo do Irã elevou o tom contra países europeus nesta terça-feira (3) e alertou que qualquer participação militar no conflito em curso ao lado de Israel e dos Estados Unidos será considerada “ato de guerra”.
Em entrevista ao jornal Tehran Times, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, afirmou que “qualquer ação militar europeia é um ato de guerra que exige uma resposta”. O recado foi direcionado especialmente a Alemanha, França e Reino Unido.
No fim de semana, os três países divulgaram uma nota conjunta na qual ameaçaram destruir a capacidade de mísseis e drones do Irã caso considerem necessário. O texto afirma que poderão autorizar “ações defensivas necessárias e proporcionadas” para neutralizar, ainda na origem, os meios de lançamento iranianos. O grupo também confirmou alinhamento com Washington e parceiros regionais sobre o tema.
A escalada verbal não ficou restrita ao chanceler iraniano. A Guarda Revolucionária do Irã declarou que “os portões do inferno se abrirão cada vez mais” contra os Estados Unidos e Israel.
Já o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, afirmou que o país está focado na “defesa” e rejeitou a possibilidade de retomar negociações com o governo de Donald Trump.
Segundo ele, “a desgraça eterna recairá sobre aqueles que alegaram buscar a diplomacia, mas, diante da lógica do Irã, cederam e optaram pela via militar”. Baghaei também acusou os europeus de adotarem uma postura “contraditória” e advertiu que qualquer violação poderá provocar um “incêndio” com consequências globais.
VEJA TAMBÉM:
Rússia alerta para risco nuclear
A Rússia afirmou que a guerra no Oriente Médio pode desencadear uma corrida armamentista nuclear, ampliando a preocupação internacional com a possibilidade de o conflito ultrapassar as fronteiras regionais.
Enquanto isso, Teerã sustenta que está comprometida com princípios humanitários, apesar das acusações de ataques à infraestrutura energética de países vizinhos. Em declarações duras, autoridades iranianas também acusaram Israel de expandir deliberadamente o conflito e tentarem difamar o país no cenário internacional.
EUA retiram cidadãos e funcionários do Oriente Médio
Diante da deterioração do quadro de segurança, os Estados Unidos orientaram cidadãos americanos que estejam em 14 países do Oriente Médio e regiões próximas a deixarem esses locais imediatamente por meios comerciais.
Entre os países citados estão Bahrein, Egito, Irã, Iraque, Israel e Gaza, Jordânia, Kuwait, Líbano, Omã, Catar, Arábia Saudita, Síria, Emirados Árabes Unidos e Iêmen.
Além disso, o Departamento de Estado determinou a saída de funcionários governamentais não essenciais e de seus familiares de ao menos seis países: Jordânia, Bahrein, Iraque, Catar, Kuwait e Emirados Árabes Unidos. A medida ocorre após ataques atribuídos ao Irã e ao Hezbollah contra embaixadas americanas na região.
O cenário aponta para uma ampliação do conflito, com envolvimento indireto — e possivelmente direto — de potências europeias. O Oriente Médio volta a ocupar o centro da tensão geopolítica global, agora sob risco de internacionalização formal da guerra.










