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Rota do petróleo

Irã diz ter atacado petroleiro por tentar atravessar Estreito de Ormuz sem autorização

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Propaganda do regime do Irã em Teerã, capital iraniana. (Foto: ABEDIN TAHERKENAREH/EFE/EPA)

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A Guarda Revolucionária do regime do Irã afirmou nesta sexta-feira (18) ter atacado um petroleiro de bandeira do Togo que tentou atravessar o Estreito de Ormuz “sem autorização de Teerã”, em mais um episódio da disputa pelo controle da rota estratégica para o transporte do petróleo mundial.

Segundo a força militar do regime islâmico, o navio Trend tentou realizar uma passagem considerada “ilegal” durante a noite desta quinta-feira (17) e teria sido atingido após “ignorar” as determinações iranianas. A Guarda Revolucionária afirmou que a embarcação pegou fogo e foi obrigada a interromper a travessia.

“Na noite passada, o petroleiro infrator Trend, sob bandeira do Togo, tentou atravessar ilegalmente o Estreito de Ormuz”, afirmou o comandante naval da Guarda Revolucionária, Ali Ozmaei. Segundo ele, o navio teria sido “atingido e parado após um incêndio”.

Teerã também acusou os Estados Unidos de terem incentivado a embarcação a realizar a passagem. A Guarda Revolucionária não informou qual armamento teria sido usado no ataque, qual era a carga transportada nem se houve vítimas.

A agência britânica de segurança marítima UKMTO informou nesta sexta que um petroleiro foi atingido por um “projétil desconhecido” no Estreito de Ormuz. O impacto provocou um incêndio, posteriormente controlado, e todos os tripulantes foram declarados em segurança. A agência não identificou o navio envolvido.

Segundo a revista Maritime Executive, o incidente registrado pela UKMTO ocorreu perto da costa de Omã. Até agora, autoridades marítimas internacionais não confirmaram oficialmente que se trata do mesmo ataque reivindicado pelo Irã contra o Trend.

Após anunciar o ataque, a Guarda Revolucionária voltou a afirmar que mantém controle sobre o estreito e ameaçou outros navios que tentarem atravessá-lo sem autorização iraniana.

“Uma passagem ilegal pelo Estreito de Ormuz não resultará em nada além da destruição da embarcação infratora”, declarou Ozmaei.

Tráfego pelo Estreito de Ormuz despenca

A nova ameaça ocorre num momento em que o movimento de navios pelo estreito já está muito abaixo do normal. Dados preliminares da empresa de monitoramento Kpler mostram que apenas quatro embarcações de transporte de commodities atravessaram Ormuz na quinta-feira, ante seis no dia anterior e uma média de 16 por dia nos dez dias anteriores. Antes da atual guerra, a rota concentrava a passagem de aproximadamente um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados mundialmente.

Algumas embarcações também passaram a desligar seus sistemas de identificação automática para reduzir a exposição durante a travessia, o que dificulta a contabilização precisa do tráfego.

Teerã vem tentando impor regras próprias à navegação pelo estreito, enquanto Washington rejeita a alegação iraniana de que o país possa controlar unilateralmente uma passagem marítima internacional.

A Organização Marítima Internacional já contabilizava, até 15 de setembro, 80 ataques contra a navegação internacional no Estreito de Ormuz e em áreas próximas, com ao menos 22 marinheiros mortos, segundo dados citados pelo Maritime Executive.

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