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A Guarda Revolucionária do Irã prometeu na segunda-feira uma reação "esmagadora" ao ataque que matou vários comandantes dessa força de elite, segundo a TV estatal. O número de mortos no atentado, o pior em vários anos no país, subiu para 42.

Reforçando as acusações de apoio ocidental ao atentado suicida de domingo, no sudeste do Irã, um dos principais comandantes da Guarda Revolucionária disse que os Estados Unidos e a Grã-Bretanha haviam treinado "terroristas" em países vizinhos.

O atentado e as posteriores acusações ameaçam ofuscar o encontro de segunda-feira entre o Irã e governos ocidentais, em Viena, que discutirá questões relativas ao programa nuclear iraniano.

O Paquistão condenou esse "repugnante ato de terrorismo", numa região próxima à fronteira entre os dois países. Islamabad rejeitou as sugestões de Teerã de que agentes de segurança no Paquistão estariam cooperando com esses militantes.

Muitos membros da minoria sunita vivem na província do Sistan-Baluchistão, uma região pobre, onde incidentes violentos vêm se intensificando.

No domingo, a imprensa estatal afirmou que um grupo sunita local, o Jundollah ("Soldados de Deus") assumiu a autoria do ataque, ocorrido antes de uma reunião entre oficiais da Guarda e chefes tribais. Entre os mortos está o subcomandante de forças terrestres da corporação.

A Press TV, canal estatal em inglês, disse que há "pelo menos 42 mortos (e) dezenas de feridos no ataque terrorista no sudeste do Irã". A emissora disse que há líderes tribais e civis entre as vítimas, e que a Guarda prometeu uma "reação esmagadora".

A reunião de domingo na cidade de Sarbaz seria parte de um esforço para fomentar a unidade entre xiitas e sunitas, e a Guarda qualificou o atentado como uma tentativa de provocar tensões sectárias.

O Sistan-Baluchistão registra frequentes confrontos entre forças de segurança, militantes da etnia sunita balúchi e traficantes de drogas fortemente armados.

O Jundollah, que acusa o governo xiita de discriminação contra os sunitas nessa remota região desértica, tem sido apontado como responsável por diversos incidentes nos últimos anos.

Os Estados Unidos condenaram o ataque e rejeitaram qualquer envolvimento. No passado, o Irã já acusou Washington de apoiar o Jundollah, além de apontar uma ligação do grupo com a rede Al Qaeda.

"A base dos terroristas e rebeldes não estava no Irã. Eles foram treinados pela América e a Grã-Bretanha em algum dos países vizinhos", disse o general Mohammad Pakpour, comandante das forças terrestres da Guarda, à TV local.

O diário governista Kayhan também lançou acusações a Israel, descrevendo o ataque como um "novo crime" do Mossad (agência de inteligência do Estado judeu).

O ataque de domingo foi o pior desse tipo no Irã desde a guerra contra o Iraque (1980-1988). Em maio passado, uma explosão numa mesquita do Sistan-Baluchistão, também atribuída ao Jundollah, matou 25 pessoas.

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