A realização neste domingo em Teerã da primeira reunião de um "diálogo nacional" entre o governo e grupos opositores e sociais da Síria é uma "resposta arrasadora aos planos de ingerência de potências estrangeiras" nesse país, segundo o ministro das Relações Exteriores do Irã, Ali Akbar Salehi.
Salehi abriu hoje o primeiro encontro deste diálogo organizado pelo Irã, o principal aliado do regime de Damasco no Oriente Médio, do qual participam 200 representantes opositores, de grupos tribais, de minorias e do governo da Síria, segundo meios de comunicação locais.
Em seu discurso, Salehi disse que a reunião é também uma resposta aos "grupos armados irresponsáveis que, por meio das armas e dos massacres, atacam a antiga civilização da Síria", segundo declarações divulgadas pela agência oficial "Irna".
Os reunidos, explicou o chefe da diplomacia iraniana, estudarão questões como a manutenção da independência da Síria e da integridade territorial, da política de coexistência e do império da lei, da segurança, da ordem e da paz no país.
Segundo o governo do Irã, o vice-primeiro-ministro sírio, Qadri Yamil, e o ministro de Reconciliação Nacional, Ali Heidar, estão na reunião em representação do governo do presidente sírio, Bashar al Assad.
Na terça-feira passada, o Irã anunciou que Teerã receberia um "diálogo nacional" entre o governo e grupos opositores sírios, sem detalhar quais, para buscar a paz nesse país sob o lema "não à violência e sim à democracia".
No início do último mês de agosto, Teerã acolheu uma conferência da qual participaram quase 30 países para tratar a situação na Síria e os participantes propuseram a criação de um "grupo de contato" para "pôr fim à violência e promover um diálogo integrador entre o governo sírio e a oposição".
Os participantes, entre os quais estavam a ONU, Rússia, China, Índia e Irã, além de alguns países da Aliança Bolivariana para os Povos da América (Alba), consideraram "o diálogo nacional como a única maneira de resolver o conflito da Síria".
Esta reunião pretendeu ser uma alternativa às dos "Amigos da Síria", convocadas pelos Estados Unidos e seus aliados, que respaldam os rebeldes tentam derrubar o regime de Assad.
Os grupos rebeldes sírios e os EUA acusaram repetidamente o Irã de apoiar militarmente o regime de Damasco com armas, pessoal e assessoria.
Por sua parte, o Irã acusou os EUA, seus aliados ocidentais e alguns governos muçulmanos coligados com Washington, especialmente Arábia Saudita, Catar e Turquia, de armar os grupos opositores sírios.



