A direção estadual do Partido Revolucionário Institucional (PRI), principal grupo de oposição ao presidente mexicano, Felipe Calderón, nomeou nesta quarta-feira Egidio Torre como candidato ao governo do Estado de Tamaulipas.
Ele é irmão mais velho do candidato Rodolfo Torre, que liderava as pesquisas de intenção de voto antes de ser assassinado, na segunda-feira, em uma emboscada atribuída a narcotraficantes que atuam na região.
A direção do PRI tem pressa em registrá-lo na Justiça eleitoral de Tamaulipas porque o prazo legal para realizar campanha expira nesta quarta-feira e a votação é daqui a quatro dias.
A partir de quinta-feira começa um período reservado para a reflexão do eleitor. No domingo, 12 dos 31 Estados do México elegerão seus governadores.
Ricardo Gamundi, líder regional do PRI, pediu que a população compareça às urnas. De acordo com ele, não há mais tempo para trocar as cédulas, mas todos os votos dados para Rodolfo Torre serão computados para Egídio.
Torre é o candidato mais importante a ser assassinado às vésperas da eleição de domingo. Ele é também o político de mais alto escalão morto no México nos últimos 16 anos - desde o assassinato de Luis Donaldo Colosio, favorito para vencer a corrida presidencial de 1994.
Calderón e autoridades federais atribuem a violência ao narcotráfico, que estaria tentando intimidar os eleitores e sujar a imagem internacional do México, passando a impressão de que o país é um Estado falido.
A polícia suspeita que a morte de Torre esteja ligada à guerra entre os cartéis de Los Zetas e do Golfo no Estado de Tamaulipas, que faz fronteira com o Texas. Ambos estariam disputando rotas de distribuição de cocaína na região. Os investigadores, no entanto, ainda não descobriram nenhuma pista dos assassinos.
A violência pode fazer Calderón pagar um pesado preço político na votação de domingo. Pesquisas de intenção de voto mostram que o PRI deve conquistar a maioria dos cargos em disputa no domingo. Outras sondagens mostram que a maioria dos mexicanos acha que o governo está perdendo a guerra contra as drogas.
Desde que Calderón assumiu a presidência, em 2006, e endureceu a luta contra os cartéis, mais de 25 mil pessoas morreram em todo o país.
Na terça-feira, o presidente tentou amenizar as críticas, pedindo "união" contra o narcotráfico. O PRI rebateu, acusando o Calderón de ter perdido o controle do país. Nesta quarta-feira, o esquerdista Andrés Manuel López Obrador, que perdeu por estreita margem a contestada eleição presidencial de 2006, afirmou que os pedidos do presidente não passavam de uma "manobra política".



