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Em um referendo realizado neste sábado, com alta adesão do eleitorado, os islandeses rejeitaram a retomada de negociações para a adesão do país à União Europeia, que foram interrompidas em 2013. O “não” venceu com cinco pontos porcentuais de diferença, com 52,8% dos votos válidos contra 47,2% pelo “sim”, ou 118.040 votos contra 105.339. “Discutiremos o tema no Parlamento, acreditamos que é crucial. E tomaremos uma decisão sobre o que fazer com a solicitação. Mas este governo não vai seguir adiante com as negociações neste mandato”, disse a primeira-ministra islandesa, Kristrún Frostadóttir, segundo informações da Agência EFE.
A Islândia havia iniciado negociações para aderir ao bloco europeu em 2009, mas em 2013 dois partidos que se opunham à adesão conseguiram maioria parlamentar para condicionar essas negociações ao apoio popular manifestado em referendo. Desde então, houve tentativas de realizar a votação, mas ela só aconteceu neste ano de 2026. Os dois principais partidos da coalizão que governa a Islândia atualmente, a Aliança Social Democrática (da premiê Frostadóttir) e o Partido Liberal Reformista, eram favoráveis ao “sim”; outras seis legendas (incluindo o Partido do Povo, governista) eram contrárias, e o Partido Pirata declarou neutralidade.
Segundo a EFE, 82,5% dos eleitores registrados foram às urnas; o número é mais alto desde as eleições legislativas de 2009, realizadas durante a crise econômica europeia. O resultado contrariou quase todas as pesquisas de opinião, que apontavam para a vitória do “sim” com vantagens que chegavam a seis pontos porcentuais. No fim, o apoio às negociações saiu vencedor apenas na capital, Reykjavík, mas perdeu em todas as outras regiões do país.
A Islândia já faz parte do Espaço Econômico Europeu, acordo que inclui todos os países da União Europeia, mais Islândia, Noruega e Liechtenstein, e permite a livre circulação de pessoas e bens. “As pessoas estão contentes com o EEE, com a atual relação com a UE. Essa é a lição que tiramos. Vamos continuar reforçando essa relação”, disse Kristrún Frostadóttir, segundo a EFE. Ela também não descartou que o tema volte a ser discutido mais adiante, embora tenha ressaltado que o país não pode fazer esse tipo de referendo “a cada dois ou três anos”.
A Comissão Europeia reagiu ao resultado afirmando que “respeita” a negativa islandesa, e que o país escandinavo continua a ser “um sócio próximo”, segundo a EFE. A porta-voz do presidente do Conselho Europeu, António Costa, afirmou que ele conversou com Frostadóttir após a divulgação do resultado, e que os dois “manifestaram seu desejo de seguir reforçando os laços entre UE e Islândia”.




