Jerusalém O Exército de Israel invadiu ontem o sul do Líbano depois que as milícias radicais xiitas do Hezbollah mataram sete soldados israelenses e capturaram outros dois. "Esses atos representam uma declaração de guerra", afirmou Dan Guillerman, embaixador de Israel na ONU. Os ataques de Israel mataram pelo menos dois libaneses. Outros 16 ficaram feridos em bombardeios de pontes no sul do Líbano.
O Hezbollah condiciona a libertação dos reféns à soltura de libaneses, palestinos e outros prisioneiros árabes presos em Israel. Estados Unidos e União Européia censuraram a ação do Hezbollah.
Esta é a primeira ação militar de Israel em solo libanês desde a retirada de suas tropas do Líbano, em 2000. Os ataques do Hezbollah tido como organização terrorista pelos EUA significam um duro golpe contra Israel, já envolvido em ações militares da Faixa de Gaza para libertar um refém israelense transformado em moeda de troca de prisioneiros palestinos.
A crise começou pela manhã (horário local), quando o Hezbollah lançou um ataque com foguetes Katiusha à cidade israelense de Shlomi e a postos militares na região de Sheeba. Na operação, dois soldados israelenses foram capturados e sete mortos.
Em resposta, o governo do premier Ehud Olmert ordenou ataques militares, com bombardeios a Saida, principal cidade do sul do Líbano. Ao mesmo tempo, a aviação israelense sobrevoou a baixa altitude as colinas de Damur e Naameh. Em outra ação, caças atacaram a ponte de Awali, próximo a Sidon.
"Os seqüestros representam uma escalada de violência na região", disse Olmert antes de responsabilizar o governo do Líbano, Síria e Irã (supostos financiadores do Hezbollah) pelos ataques xiitas.
O governo do Líbano negou ter responsabilidade sobre a captura dos soldados israelenses e pediu uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU. "Não podemos ser responsabilizados, porque não estávamos informados sobre as ações do Hezbollah", disse Ghazi Aridi, ministro das Comunicações. A Síria apontou a ocupação do território palestino de Gaza, por Israel, como estopim da violência.
O líder do Hezbollah, Hussein Nasrallah, afirmou que os reféns israelenses estavam "em um canto distante do Líbano", e não abriu mão de exigir a libertação dos prisioneiros libaneses. O governo de Israel se nega a negociar com o grupo radical xiita, mesma postura adotada diante de extremistas palestinos.
Israel e o Hezbollah já negociaram no passado, através de mediadores alemães e da Cruz Vermelha. Em 2004, o grupo soltou o militar Elchanan Tenenbaum, que ficou quatro anos como refém, e devolveu os corpos de três soldados em troca da libertação de prisioneiros.



