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O novo primeiro-ministro de Israel, Naftali Bennett (esq.), conversa com Yair Lapid, ministro de Relações Exteriores, durante foto dos membros do novo governo israelense, Jerusalém, 14 de junho
O novo primeiro-ministro de Israel, Naftali Bennett (esq.), conversa com Yair Lapid, ministro de Relações Exteriores, durante foto dos membros do novo governo israelense, Jerusalém, 14 de junho| Foto: EFE/ Atef Safadi

Após mais de dois anos de impasse político, Israel tem um novo governo, ratificado no domingo pelo Knesset, o parlamento do país. A nova coalizão, vista como frágil por analistas, reúne oito partidos de quase todo o espectro político e retirou do poder Benjamin Netanyahu, que passou 12 anos consecutivos como primeiro-ministro. Os temas controversos que dividem os partidos da coalizão devem ser deixados de lado em um primeiro momento, e questões econômicas devem ser as primeiras a serem tratadas pelo novo governo israelense, na opinião de analistas.

O novo governo de unidade nacional será comandado nos primeiros dois anos pelo nacionalista de direita Naftali Bennett, e nos dois anos seguintes pelo centrista Yair Lapid, que agora assume o Ministério de Relações Exteriores.

"O mais importante é entender que não é Bennett quem vai governar o país", diz Samuel Feldberg, professor de relações internacionais e pesquisador do Centro Moshe Dayan da Universidade de Tel Aviv. "Mas sim esse governo de coalizão, que tem como primeiro-ministro, de forma muito inovadora, um membro do Parlamento de um partido que é um dos menores que foi eleito na última votação", completa.

A nova coalizão tem exatos 61 assentos - o mínimo para formar maioria no Parlamento de 120 assentos - e é formada por oito partidos. O maior deles é o Yesh Atid, de Yair Lapid, partido que ficou em segundo lugar na última eleição, atrás do Likud de Netanyahu, conquistando 17 cadeiras. O Yamina, de Bennett, levou sete.

Feldberg destaca que ainda é cedo para fazer previsões sobra a atuação do novo governo. Porém, ele avalia que questões mais complicadas e que opõem os partidos que formam a coalizão, como a anexação de determinadas áreas na Cisjordânia, por exemplo, devem ser deixadas para serem resolvidas mais para frente. "Justamente porque temos uma coalizão muito limitada, muito instável, e qualquer posicionamento político mais radical ou incisivo que represente os interesses específicos de uma parte desses partidos poderia antagonizar a ala oposta", diz.

As propostas que causam grandes divisões, se forem levadas ao Parlamento, teriam poucas chances de serem aprovadas e poderiam até ameaçar a dissolução de governo. Por isso, o novo governo israelense deve se preocupar primeiro com questões econômicas e o impacto da pandemia, que deixou 7% de desempregados em Israel, diz o pesquisador. "O país tem, pela primeira vez, um déficit significativo no orçamento. O governo foi muito generoso em relação ao apoio que deu à população que perdeu sua renda", explica.

Além disso, o novo governo deve lidar com questões da minoria árabe que vive no país. "A minoria árabe foi muito negligenciada no passado e agora espera uma compensação pelo apoio dado a essa coalizão", diz Feldberg. Essa é a primeira vez na história que um partido árabe participa formalmente de uma coalizão de governo em Israel.

As demandas do partido árabe ao entrar na coalizão incluem investimentos na continuidade e melhoria da inserção desse setor na sociedade israelense, obras de infraestrutura e permissão para a construção de novas casas do setor árabe da população, entre outras propostas para a área civil. Pela primeira vez, o setor árabe da população israelense se propôs a apoiar um novo governo exigindo compensações para a população árabe sem se envolver com questões nacionais palestinas.

"Eles anunciaram claramente que os palestinos são representados pela Autoridade Palestina nos territórios e que se dedicarão a defender os interesses da população árabe como cidadãos israelenses", salienta Feldberg.

Palestina

O primeiro-ministro palestino, Mohammad Shtayyeh, afirmou nesta segunda-feira que o fim do governo Netanyahu encerra "o pior período" da história do conflito, mas ressaltou que a nova coalizão é "tão ruim quanto "a de seus antecessores.

Shtayyeh condenou o apoio de Naftali Bennet às colônias judaicas no território palestino. "O que é necessário do novo Executivo israelense é que comece a trabalhar para acabar a ocupação e acabar com suas ferramentas coloniais, como os assentamentos", disse o chefe da Autoridade Nacional Palestina (ANP) durante reunião semanal de seu gabinete.

O governo liderado por Shtayyeh - com controle limitado sobre partes da Cisjordânia ocupada - tem acordos de cooperação bilateral com Israel em virtude dos Acordos de Oslo, o que significa que terá que negociar com o novo Executivo israelense.

Por sua vez, o movimento islâmico Hamas, que governa Gaza e no mês passado protagonizou uma forte escalada militar com Israel, considerou ontem que a mudança no poder israelense não muda muito a situação política dos palestinos.

Relações com o Brasil

Benjamin Netanyahu, como o mais longevo primeiro-ministro israelense, cultivou relações com líderes em todo o mundo. "Não se pode negar que Netanyahu é um líder muito carismático", diz Feldberg, citando a relação entre o israelense e o ex-presidente dos EUA Donald Trump como resultado desse carisma.

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, também tinha uma relação próxima com o ex-premiê israelense, mas a mudança no poder do país do Oriente Médio não deve esfriar a relação diplomática entre as duas nações, que deve passar a ter um caráter mais pragmático, avalia o especialista. "Eu acredito que vai haver uma normalização das relações com o Brasil com a ausência desse vínculo pessoal".

Nesta segunda-feira, Bolsonaro agradeceu Netanyahu e desejou sucesso a Naftali Bennett e a Yair Lapid.

Com informações da Agência EFE.

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