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Os governos da Itália, da Alemanha e da Espanha comemoraram nesta sexta-feira (9) a aprovação, pelo Conselho da União Europeia (UE), do acordo comercial do bloco com o Mercosul.
Especificamente, os Estados-membros votaram a favor da assinatura do acordo comercial provisório com o Mercosul, que é de competência exclusiva da UE e não requer ratificação pelos parlamentos nacionais, bem como a favor da assinatura do acordo final, que exigirá aprovação posterior de todas as partes.
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, disse que seu país deu aval ao acordo depois que, conforme reivindicava desde o início, obteve “resultados muito importantes” da Comissão Europeia em termos de garantias para seu setor agrícola.
Em entrevista coletiva, Meloni explicou que a Itália não mudou sua postura em relação à assinatura do acordo, e que seu apoio estava condicionado à obtenção de garantias fundamentais para o setor agrícola italiano.
Entre elas, a premiê destacou “um mecanismo de salvaguarda para os produtos sensíveis, um fundo de compensação que pode ser acionado para, naturalmente, compensar possíveis desequilíbrios, e um reforço significativo dos controles fitossanitários na entrada”.
Já o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, comemorou nesta sexta-feira o “marco” que representa o acordo, que, segundo ele, constitui um sinal importante da soberania estratégica e da capacidade de ação da Europa.
“Com o tratado, reforçamos nossa economia e as relações comerciais com nossos parceiros na América do Sul. Isso é bom para a Alemanha e para a Europa. No entanto, 25 anos de negociações foram demais. Agora, trata-se de concluir rapidamente os próximos acordos de livre-comércio”, declarou, de acordo com um breve comunicado do Ministério das Relações Exteriores.
O rei Felipe VI e o ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, também celebraram nesta sexta-feira o acordo com o Mercosul.
No encerramento da décima reunião anual dos embaixadores espanhóis, realizada em Madri, Albares classificou como “notícia extraordinária” o fato de que “finalmente a União Europeia disse sim ao Mercosul” e lembrou que a diplomacia espanhola vinha “impulsionando e trabalhando há muito tempo” a favor desse acordo, pelo que se disse “muito feliz”.
Felipe VI incentivou os diplomatas a “desenvolverem todo o potencial do acordo com o Mercosul”, que “é tão importante para a União Europeia” e “certamente” para a Espanha. “Sem dúvida, hoje estamos de parabéns nesse sentido”, acrescentou o rei.
O dia, porém, não foi só de comemoração na Europa: agricultores realizam desde quinta-feira (8) protestos contra o acordo em vários pontos do continente, como em frente ao Parlamento Europeu, em Bruxelas, em diversas rodovias na França, em Varsóvia, na Polônia, e no centro de Milão.
Na cidade italiana, eles bloquearam o trânsito da região com tratores e fardos de palha para protestar contra o acordo, com frases como “Ao vender mal a agricultura, traem a Itália” ou “Dane-se a UE, não ao Mercosul”.
Conteúdo editado por: Fábio Galão






