O geneticista americano e prêmio Nobel de Medicina de 1962, James Watson, desculpou-se "profundamente" pelas declarações feitas a um jornal britânico de que os negros seriam menos inteligentes do que os brancos.
- Eu estou desolado pelo que aconteceu - disse Watson a um grupo de cientistas e jornalistas no lançamento de seu livro de memórias "Avoiding Boring People" (Evitando pessoas chatas, em tradução livre) na noite de quinta-feira, Real Sociedade de Londres - Eu posso entender perfeitamente porque as pessoas, ao lerem essas palavras (no jornal) reagiram desta forma. A todos os que inferiram de minhas palavras que a África, como continente, é de alguma forma geneticamente inferior, só posso apresentar minhas desculpas incondicionais. Não era o que eu quis dizer. O mais importante, do meu ponto de vista, é que não há base científica para tal crença - acrescentou.
A polêmica declaração continua repercutindo com força. Nesta sexta-feira, uma das mais importantes instituições de pesquisa dos EUA, o Cold Spring Harbour Laboratory, onde Watson trabalha desde 1948, decidiu suspender o cientista.
Assim como o Cold Spring Harbour, várias instituições e pesquisadores disseram que as declarações de Watson foram insensíveis e cientificamente equivocadas. Na véspera, o laboratório já havia divulgado uma nota lamentando os comentários de seu cientista. Uma palestra que ele daria no Museu de Ciências de Londres foi cancelada .
Watson disse ao jornal britânico "Sunday Times", na edição do dia 14, que se sentia "inerentemente pessimista com a perspectiva da África", porque "todas as nossas políticas sociais se baseiam no fato de que a inteligência (dos africanos) é igual à nossa - enquanto todos os testes dizem que não é realmente assim".



