Tóquio O governo do Japão voltou a declarar guerra aos ternos e gravatas, e não apenas no Japão, mas em toda a Ásia, onde pretende implantar sua curiosa iniciativa ambiental. A ministra do Meio Ambiente japonesa, Yuriko Koike, lançou ontem o segundo ano da campanha para que os executivos se vistam de modo mais informal e leve no verão, a fim de reduzir o gasto com ar condicionado e a emissão de gases poluentes.
No ano passado, as imagens do primeiro-ministro do Japão, Junichiro Koizumi, chegando ao escritório sem terno ou gravata e com uma camisa folgada de algodão azul por fora da calça rodaram o mundo. Koike anunciou que vários ministros desfilarão com roupas mais informais em uma passarela em Omotesando Hills, o novo centro da moda de Tóquio.
"O que proponho não é fashion (moda), mas action (ação) para combater o aquecimento do planeta", afirmou a ministra.
De acordo com números fornecidos pelo ministério, no último verão, o Japão emitiu 460 mil toneladas a menos de gases poluentes, o equivalente às emissões de um milhão de casas por mês. As compras de roupa também foram reforçadas, principalmente na seção masculina das lojas de departamento. Em 2005, as vendas cresceram pela primeira vez em nove anos. A primeira campanha foi chamada "Kuuru-bizu", expressão adaptada ao japonês a partir da contração das palavras inglesas "Cool" (legal) e "Business man" (homem de negócios). O nome da iniciativa ambiental este ano vai ainda mais longe: "Cool Asia 2006".
A ministra do Meio Ambiente quer que os outros países do continente, a maioria com clima muito úmido e quente, prestem atenção ao Japão, e se desfaçam das gravatas e dos ternos ao fazer negócios. No entanto, reconhece a dificuldade de sua missão. Na Ásia, o Japão é o único país que tem obrigação de reduzir seus gases poluentes pelo protocolo de Kyoto que entrou em vigor no início deste ano. Os outros países são considerados nações em desenvolvimento.
Quando Tóquio ratificou o Protocolo de Kioto, assinado em 1997, se comprometeu a reduzir suas emissões em 6% entre 2008 e 2012. Nos últimos anos, entretanto, sua indústria não deixou de crescer e, com ela, a poluição. Por isso, para cumprir o protocolo, o país é obrigado agora a reduzir em 13% suas emissões poluentes.
Outra iniciativa antipoluente da ministra é a utilização de um "furoshiki", uma espécie de lenço grande que as mulheres podem usar como bolsa. A intenção é evitar a fabricação de bolsas de plástico. No ano passado, foram usados 30 bilhões de sacos no Japão.



