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Fraude jornalística

Jornal USA Today apaga 23 reportagens por indícios de entrevistas terem sido inventadas

Gabriela Miranda justaposta a uma foto da edição impressa do jornal USA Today
Após pedindo de correção de leitor e auditoria externa, o jornal USA Today removeu artigos escritos pela repórter Gabriela Miranda. (Foto: Bigstock / dennizn)

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“Latoya tem medo de o anticoncepcional falhar e descobrir que está grávida com mais de seis semanas, e ser forçada a gestar uma criança sem estar pronta. ‘Não deixarei o Estado me obrigar a isso depois de apenas seis semanas’, disse Latoya ao USA Today”. Este é um trecho de uma reportagem escrita pela repórter Gabriela Miranda, jovem e graduada no ano de 2021 pela Universidade da Geórgia, EUA.

O problema é que Latoya pode não existir e a citação inteira pode ter sido fabricada por Gabriela, como declarou o próprio jornal na última quinta-feira (16). A matéria, publicada em setembro de 2021 para comentar a nova lei do Texas que proíbe abortos após seis semanas de gestação, é uma das 23 removidas pelo jornal após uma auditoria interna engatilhada por um pedido externo de correção.

“A auditoria revelou que alguns indivíduos citados não eram afiliados às organizações alegadas e pareciam ter sido fabricados. Não foi possível verificar independentemente a existência de outros indivíduos citados. Além disso, algumas matérias incluíram citações cujo crédito era de outrem”, disse o USA Today na nota em que informou o desligamento voluntário da repórter.

Como o artigo de tom pró-aborto e contra a lei texana, havia outros com o mesmo viés político entre os removidos. Um texto de janeiro deste ano associa a proposta do uso da ivermectina para tratamento precoce de Covid-19 às crenças excêntricas de um proponente da urinoterapia (a crença de que beber a própria urina é terapêutico). Outro texto, de agosto de 2021, tratava do suposto furto de uma bandeira do orgulho LGBT e sua substituição por uma bandeira dos confederados no campus da Virginia Tech. Os confederados foram os derrotados por Abraham Lincoln na Guerra Civil. Como eles defendiam a manutenção da escravidão, a bandeira é considerada um símbolo do racismo, embora alguns sulistas patriotas neguem essa conotação.

A maior parte das matérias de Gabriela Miranda, no entanto, tinha temas amenos como uma população de capivaras que supostamente deu trabalho para uma comunidade rica da Argentina e a celebração do dia dos mortos no México — Miranda, com ascendência hispânica, cobria temas relacionados à cultura latino-americana. A repórter agora em descrédito também cobria a guerra na Ucrânia. Ela deletou seus perfis nas redes sociais LinkedIn e Twitter. O jornal USA Today, com sede no estado da Virgínia, promete melhorar o escrutínio sobre fontes e os mecanismos para que leitores apontem erros. Segundo o New York Times, a repórter se esforçou para produzir provas falsas de sua diligência ao produzir as matérias, inclusive gravações falsas de entrevistas.

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