Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Oriente Médio

Jovem checheno conquista destaque no Estado Islâmico

Fanatismo é fator mais determinante que etnia para definir quem manda no grupo radical que ocupa fronteiras da Síria e do Iraque

Enquanto o Estado Islâmico se estrutura com membros de naciona-lidades diferentes, forças militares iraquianas tentam se estruturar com voluntários |
Enquanto o Estado Islâmico se estrutura com membros de naciona-lidades diferentes, forças militares iraquianas tentam se estruturar com voluntários (Foto: )

Um jovem checheno de barba ruiva se tornou rapidamente um dos mais importantes comandantes do grupo que se separou da Al-Qaeda e tomou o controle de grande parte dos territórios do Iraque e da Síria, o que ilustra a natureza internacional da insurgência. Omar Al-Shishani, um entre centenas de chechenos que lutam no país, grupo que está entre os mais duros combatentes jihadistas na Síria, surgiu como a face do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL), aparecendo frequentemente em vídeos colocados na internet. Sua atuação contrasta com a do líder do grupo, Abu Bakr al-Baghdadi, que permanece escondido e quase nunca é fotografado.

Num vídeo divulgado pelo grupo no último final de semana, Shishani é visto perto do porta-voz do grupo e em meio a combatentes, quando eles declararam a eliminação da fronteira entre Iraque e Síria. O vídeo foi divulgado horas antes de o grupo extremista ter anunciado a criação de um califado, ou Estado Islâmico, nas áreas que controla.

"Nosso objetivo é claro e todos sabem por que estamos lutando. Nosso caminho é na direção do califado", declara Shishani, de 28 anos. "Vamos trazer de volta o califado e se Deus não fizer deste o nosso destino de restaurar o califado, então pediremos a ele que nos conceda o martírio", disse o jovem líder jihadista.

Ascenção

Shishani é o comandante militar do grupo na Síria, liderando seus companheiros numa ofensiva que tomou o controle de uma ampla faixa de território até a fronteira com o Iraque. Mas ele pode ter ascendido e se tornado o chefe militar geral do grupo, um posto que está vago desde que o militante que o ocupava, conhecido como Abu Abdul-Rahman al-Bilawi al-Anbari, foi morto na cidade iraquiana de Mossul no início de junho.

Na medida em que as operações do grupo militante no Iraque e na Síria se tornam "mais e mais interdependentes dia a dia, é mais do que possível que alguém como Shishani possa assumir a liderança militar total", disse Charles Lister, professor visitante do Centro Brookings de Doha.

Presença de estrangeiros dinamiza grupo

O grupo extremista Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL) – que agora forma o Estado Islâmico – começou como um ramo da Al-Qaeda no Iraque e muitos de seus principais líderes são iraquianos. Mas depois de intervir na guerra civil síria no ano passado, o grupo atraiu centenas de combatentes estrangeiros para suas operações no país.

Agora, com vitórias dos dois lados da fronteira, os ramos estão trocando combatentes, equipamentos e armas num ritmo muito mais intenso do que antes e se tornando uma organização mais integrada. Sua declaração do califado, com a aspiração de ser o Estado para todos os muçulmanos, pode significar uma internacionalização ainda maior de suas fileiras.

Alexei Malashenko, especialista do instituto Carnegie Endowment, em Moscou, diz que a etnia não é um fator importante nos movimentos jihadistas, mas sim a dedicação à causa. O checheno Omar Al-Shishani "é um fanático pelo Islã com experiência em guerra", explica ele.

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.