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Costa Concordia

Jovem que jantou com capitão deve depor sobre o naufrágio

Defensora de Schettino, ela afirma ser funcionária da Costa Crociere, mas não estava listada entre os passageiros e tripulantes

Resgatadores da guarda costeira trabalham no topo do casco do navio Costa Concordia, adernado na última sexta-feira em frente à Ilha de Giglio – o naufrágio matou pelo menos 11 pessoas | Paul Hanna/Reuters
Resgatadores da guarda costeira trabalham no topo do casco do navio Costa Concordia, adernado na última sexta-feira em frente à Ilha de Giglio – o naufrágio matou pelo menos 11 pessoas (Foto: Paul Hanna/Reuters)
Domnica Cemortan defendeu o comandante Schettino na tevê moldávia |

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Domnica Cemortan defendeu o comandante Schettino na tevê moldávia

Mergulhador investiga a carcaça do Costa Concordia, na Ilha de Giglio |

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Mergulhador investiga a carcaça do Costa Concordia, na Ilha de Giglio

Uma loira de 25 anos que estava a bordo no Costa Concordia a convite é a nova peça do quebra-cabeças que esclarecerá o que, de fato, levou ao naufrágio do navio há uma semana.

A moldávia Domnica Cemor­­tan, que não estava na lista de passageiros ou tripulantes, foi vista jantando com o capitão Francesco Schettino na noite do acidente. Segundo uma testemunha, ela teria subido até a cabine do co­­mandante depois do jantar.

A jovem, que disse também trabalhar para a empresa Costa Crociere – mas estava de folga nessa ocasião –, agora deve ser ouvida no julgamento do capitão, acusado de homicídio culposo, de fazer naufragar e abandonar o navio.

A uma rede de tevê moldávia, ela defendeu Schettino. "Ele fez um trabalho extraordinário, salvou mais de 3 mil pessoas", afirmou.

Domnica, que disse ter estado com o comandante também de­­pois que o navio bateu em uma rocha, assegurou que Schettino permaneceu no deck da embarcação de luxo até as 23h50 (hora lo­­cal). O acidente ocorreu às 21h45.

Ontem, 8 dos 11 mortos foram identificados e tiveram os nomes divulgados. Entre as vítimas, es­­tão quatro franceses, um peruano, um espanhol, um húngaro e um italiano. Ainda há 21 desaparecidos.

A companhia Costa Cruzeiros, proprietária do navio, anunciou que já iniciou contatos com os passageiros para oferecer indenização – em valor ainda não divulgado.

Investigação

Uma nova gravação divulgada na imprensa italiana também deve trazer novos elementos à investigação. Nela, Schettino diz ao oficial da guarda costeira de Livorno que estava verificando as razões do apagão, mas não diz voluntariamente que a embarcação bateu num recife.

O oficial diz a Schettino que sua agência ouviu do parente de um marinheiro que, durante o jantar, "tudo caiu sobre suas cabeças". Passageiros que estavam na sala de jantar informaram que pratos e co­­pos caíram por todo o restaurante. "Estamos ve­­rificando as condições a bordo", responde Schettino. Perguntado se os passageiros fo­­ram avisados para colocarem os coletes salva-vidas, ele respondeu: "correto". Tripulantes e passageiros reclamaram sobre a retirada caótica e a falta de orientação no navio.

A Costa Crociere, proprietária do navio, suspendeu formalmente Schettino. Segundo o advogado da empresa, Marco Deluca, Schet­­tino disse ao juiz que levou o na­­vio para perto da ilha "pelo olhar" em vez de usar o sistema de navegação da embarcação e que, du­­rante a evacuação, caiu num bote salva-vidas e foi levado para a Ilha de Giglio.

Com o agravamento da crise nos últimos dias, a Costa Crociere tem se dis­­tanciado gradualmente do capitão. No fim de semana, um funcionário da empresa defendeu a conduta de Schettino. Po­­rém, na segunda-feira, o executivo-chefe da companhia, Pier Luigi Foschi, responsabilizou o capitão pelo acidente, mas afirmou que a Cos­­ta Crociere continuaria a dar assistência legal ao capitão.

Drama

Passageiro teve de escolher quem salvar primeiro e perdeu pai

Se estivesse com toda a sua família a bordo de um navio naufragando, quem você salvaria primeiro? Em meio ao desespero dentro do Costa Concordia, na tragédia que completa amanhã uma semana, o italiano Claudio Masia se viu diante desta dura escolha.

Conseguiu salvar os dois filhos, a sobrinha, a mulher e a mãe. Mas perdeu o pai, Giovanni, na escuridão do navio submergindo. Quando sentiu o forte impacto, seguido de um apagão, Masia sabia que algo grave havia acontecido a bordo.

Pensou logo na segurança dos dois filhos, de 8 e 13 anos, e de sua sobrinha. Depois, na de sua mulher, de sua mãe e de seu pai, que teve a ideia de levar toda a família para viajar no cruzeiro de luxo pela costa da Toscana. Ao ouvir o alarme e a orientação para sair do navio – que só vieram 40 minutos depois do impacto –, Masia correu para pegar os coletes salva-vidas, e subiu ao deck com toda a família.

Teve início então a batalha por lugares nos botes que já desciam até o mar. "Eu não me envergonho de dizer que empurrei pessoas e usei meus punhos para encontrar um lugar seguro. Um cara tentou levar o colete da minha filha, e eu a segurei antes de ela quase cair no mar", disse ao italiano La Stampa.

No entanto, garantir a segurança dos pais foi ainda mais difícil. Masia carregou nos ombros a mãe de 84 anos até conseguir um lugar em um dos botes. Quando voltou para buscar o pai, já não o encontrou mais.

"Procurei em todos os lugares, na escuridão da noite e do mar", desabafou. "Eu nunca mais o vi. Ele desapareceu quando o navio afundou."

Masia passou todo o fim de semana na Toscana, enquanto os resgates ocorriam, esperando por alguma boa notícia do pai. O resto da família logo voltou à Sardenha.

Na segunda-feira, teve a confirmação que não queria: o pai, que sonhou em reunir a família em um cruzeiro, encerrou nele sua história.

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