
Uma loira de 25 anos que estava a bordo no Costa Concordia a convite é a nova peça do quebra-cabeças que esclarecerá o que, de fato, levou ao naufrágio do navio há uma semana.
A moldávia Domnica Cemortan, que não estava na lista de passageiros ou tripulantes, foi vista jantando com o capitão Francesco Schettino na noite do acidente. Segundo uma testemunha, ela teria subido até a cabine do comandante depois do jantar.
A jovem, que disse também trabalhar para a empresa Costa Crociere mas estava de folga nessa ocasião , agora deve ser ouvida no julgamento do capitão, acusado de homicídio culposo, de fazer naufragar e abandonar o navio.
A uma rede de tevê moldávia, ela defendeu Schettino. "Ele fez um trabalho extraordinário, salvou mais de 3 mil pessoas", afirmou.
Domnica, que disse ter estado com o comandante também depois que o navio bateu em uma rocha, assegurou que Schettino permaneceu no deck da embarcação de luxo até as 23h50 (hora local). O acidente ocorreu às 21h45.
Ontem, 8 dos 11 mortos foram identificados e tiveram os nomes divulgados. Entre as vítimas, estão quatro franceses, um peruano, um espanhol, um húngaro e um italiano. Ainda há 21 desaparecidos.
A companhia Costa Cruzeiros, proprietária do navio, anunciou que já iniciou contatos com os passageiros para oferecer indenização em valor ainda não divulgado.
Investigação
Uma nova gravação divulgada na imprensa italiana também deve trazer novos elementos à investigação. Nela, Schettino diz ao oficial da guarda costeira de Livorno que estava verificando as razões do apagão, mas não diz voluntariamente que a embarcação bateu num recife.
O oficial diz a Schettino que sua agência ouviu do parente de um marinheiro que, durante o jantar, "tudo caiu sobre suas cabeças". Passageiros que estavam na sala de jantar informaram que pratos e copos caíram por todo o restaurante. "Estamos verificando as condições a bordo", responde Schettino. Perguntado se os passageiros foram avisados para colocarem os coletes salva-vidas, ele respondeu: "correto". Tripulantes e passageiros reclamaram sobre a retirada caótica e a falta de orientação no navio.
A Costa Crociere, proprietária do navio, suspendeu formalmente Schettino. Segundo o advogado da empresa, Marco Deluca, Schettino disse ao juiz que levou o navio para perto da ilha "pelo olhar" em vez de usar o sistema de navegação da embarcação e que, durante a evacuação, caiu num bote salva-vidas e foi levado para a Ilha de Giglio.
Com o agravamento da crise nos últimos dias, a Costa Crociere tem se distanciado gradualmente do capitão. No fim de semana, um funcionário da empresa defendeu a conduta de Schettino. Porém, na segunda-feira, o executivo-chefe da companhia, Pier Luigi Foschi, responsabilizou o capitão pelo acidente, mas afirmou que a Costa Crociere continuaria a dar assistência legal ao capitão.
Drama
Passageiro teve de escolher quem salvar primeiro e perdeu pai
Se estivesse com toda a sua família a bordo de um navio naufragando, quem você salvaria primeiro? Em meio ao desespero dentro do Costa Concordia, na tragédia que completa amanhã uma semana, o italiano Claudio Masia se viu diante desta dura escolha.
Conseguiu salvar os dois filhos, a sobrinha, a mulher e a mãe. Mas perdeu o pai, Giovanni, na escuridão do navio submergindo. Quando sentiu o forte impacto, seguido de um apagão, Masia sabia que algo grave havia acontecido a bordo.
Pensou logo na segurança dos dois filhos, de 8 e 13 anos, e de sua sobrinha. Depois, na de sua mulher, de sua mãe e de seu pai, que teve a ideia de levar toda a família para viajar no cruzeiro de luxo pela costa da Toscana. Ao ouvir o alarme e a orientação para sair do navio que só vieram 40 minutos depois do impacto , Masia correu para pegar os coletes salva-vidas, e subiu ao deck com toda a família.
Teve início então a batalha por lugares nos botes que já desciam até o mar. "Eu não me envergonho de dizer que empurrei pessoas e usei meus punhos para encontrar um lugar seguro. Um cara tentou levar o colete da minha filha, e eu a segurei antes de ela quase cair no mar", disse ao italiano La Stampa.
No entanto, garantir a segurança dos pais foi ainda mais difícil. Masia carregou nos ombros a mãe de 84 anos até conseguir um lugar em um dos botes. Quando voltou para buscar o pai, já não o encontrou mais.
"Procurei em todos os lugares, na escuridão da noite e do mar", desabafou. "Eu nunca mais o vi. Ele desapareceu quando o navio afundou."
Masia passou todo o fim de semana na Toscana, enquanto os resgates ocorriam, esperando por alguma boa notícia do pai. O resto da família logo voltou à Sardenha.
Na segunda-feira, teve a confirmação que não queria: o pai, que sonhou em reunir a família em um cruzeiro, encerrou nele sua história.



