Uma tentativa de acabar com a proibição de que homossexuais sejam rabinos e contraiam uniões está trazendo um desafio aos judeus conservadores, um movimento mundial, concentrado nos EUA, que se orgulha do equilíbrio entre as tradições religiosas e a modernidade.
Os rabinos conservadores reunidos nesta semana na capital do México dizem que essa não é uma tarefa fácil para o grupo que outrora dominou o judaísmo americano, mas que nos últimos 15 anos foi superado pelo movimento liberal Reforma, hoje o maior dos EUA.
- Milênios de tradição não se revertem facilmente - disse o rabino Kenneth Cohen, que atua junto a universitários de Washington, na reuniao do México.
Mas o rabino afirmou que, a exemplo da maioria de seus fiéis,favorável ao fim das restrições aos homossexuais.
- O judaísmo nunca existiu em um vácuo. A 'Halakha' (lei judaica) é a aplicação dos valores judaicos à vida real.
Na última vez em que os conservadores analisaram a questão, em 1992, eles concluíram que homossexuais seriam bem-vindos no movimento, mas mantiveram a proibição do comportamento gay, das cerimônias de união homossexual ou da aceitação dos homossexuais como rabinos.
Um crescente número de rabinos conservadores vem se voltando contra a proibição. Eles dizem que os gays querem sair do armário, estudarem em seminários judaicos e receberem as mesmas bênçãos religiosas a que os casais heterossexuais têm direito.
Outros religiosos acompanham atentamente - alguns ramos cristãos andam às voltas com os mesmos temas.
O presidente do México, Vicente Fox, abriu a convenção de cinco dias, no domingo, com cumprimentos em castelhano e hebraico a cerca de 350 dos 1.600 rabinos do movimento Conservador.
É a primeira vez que o movimento se reúne na América Latina, onde tem quase 60 rabinos e um seminário em Buenos Aires. O grupo foi fundado há cerca de cem anos nos Estados Unidos e atualmente diz reunir mais de 2 dos 13 milhões de judeus do mundo.



