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Ex-presidente

Justiça da Bolívia abre investigação contra Evo Morales por assassinato e tortura

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Ex-presidente da Bolívia, Evo Morales, é investigado por suspeitas de assassinato e tortura em operação policial que deixou três mortos em 2009. (Foto: Jorge Ábrego/EFE)

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O Ministério Público da Bolívia anunciou nesta segunda-feira (12) a abertura de uma investigação contra o ex-presidente socialista Evo Morales e seu antigo vice, Álvaro García Linera, por suspeitas de assassinato, tortura e privação de liberdade durante uma operação policial realizada em 2009. A ação ocorreu em um hotel na cidade de Santa Cruz de la Sierra e terminou com três homens mortos e outros dois presos.

A investigação foi aberta após uma denúncia apresentada pela senadora Tomasa Yarhui e outros parlamentares do partido de oposição Libre. O procurador-geral interino da Bolívia, José Armando Urioste, informou que o caso foi encaminhado ao Tribunal Supremo de Justiça e que a Promotoria começou a reunir informações para avaliar a possibilidade de levar os dois ex-governantes a julgamento.

A operação ocorreu em 16 de abril de 2009, quando policiais invadiram o Hotel Las Américas, em Santa Cruz de la Sierra. Durante a operação, foram mortos o boliviano-croata Eduardo Rózsa Flores, o irlandês Michael Dwyer e o húngaro-romeno Arpad Magyarosi. Outros dois homens, Mario Tadic e Elöd Tóásó, foram presos e posteriormente denunciaram ter sofrido torturas.

Na época, o governo de Morales afirmou que os homens integravam um grupo terrorista que planejava promover um movimento separatista na região de Santa Cruz, reduto da oposição ao então presidente. Morales estava em viagem à Venezuela quando a operação ocorreu, mas reconheceu publicamente que havia ordenado a ação policial.

“Ontem, dei instruções precisas ao vice-presidente para realizar uma operação e prender esses mercenários”, afirmou Morales na ocasião, durante uma declaração na Venezuela, ao lado dos então ditadores Hugo Chávez, da Venezuela, e Raúl Castro, de Cuba.

A operação foi questionada por familiares das vítimas e organizações de direitos humanos, que denunciaram possíveis execuções extrajudiciais e torturas. O caso chegou à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), que em 2021 concluiu que o Estado boliviano havia cometido violações de direitos humanos.

A investigação anterior relacionada ao episódio foi encerrada em 2020, durante o governo interino de Jeanine Áñez. Na ocasião, a Justiça boliviana determinou o encerramento do processo contra pessoas acusadas de integrar o suposto grupo terrorista, devido ao tempo excessivo de tramitação.

A nova investigação ainda está em fase inicial. Para que Morales e García Linera sejam submetidos a um julgamento de responsabilidades por atos cometidos durante seus mandatos, será necessária uma autorização da Assembleia Legislativa da Bolívia, com o apoio de dois terços dos parlamentares.

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