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Jerusalém

Justiça de Israel manda abrir estrada a carros palestinos

Palestinos e ativistas dos direitos humanos a chamavam de "estrada do apartheid". Para muitos motoristas israelenses, é simplesmente uma estrada segura, dando acesso a Jerusalém sem cruzar com palestinos.

A Suprema Corte de Israel decidiu na terça-feira que a Rodovia 443, que corta a Cisjordânia ocupada e liga Jerusalém a Tel Aviv, deve ser aberta aos veículos palestinos, revertendo uma proibição imposta em 2002 por militares depois de ataques contra carros israelenses.

A Justiça deu ao Exército cinco meses para formular um novo esquema de segurança na estrada de quatro pistas. Até lá, a proibição ao trânsito de palestinos continua em vigor.

"A liberdade de movimento é um direito humano básico, e todos os esforços devem ser feitos para implementá-la no território mantido por Israel", disse a presidente do tribunal, Dorit Beinisch, na sentença em favor das aldeias palestinas que ficam ao longo da rodovia e haviam movido a ação.

A decisão provocou polêmica na quarta-feira em Israel e pode abrir um precedente para outras contestações judiciais às restrições que Israel impõe à movimentação de palestinos na Cisjordânia, território capturado na guerra de 1967.

Depois dos atentados que mataram cinco israelenses na estrada há sete anos, o Exército instalou barreiras que impedem o acesso das aldeias vizinhas à Rodovia 443. Isso obriga os palestinos a fazerem demorados contornos para chegar à vizinha cidade de Ramallah, capital administrativa da Cisjordânia.

Os ataques agora praticamente pararam, e a estrada, usada por cerca de 40 mil veículos israelenses por dia, se tornou uma alternativa popular à engarrafada rodovia principal entre Tel Aviv e Jerusalém, a Auto-Estrada 1.

"Eles vêm nos estrangulando", disse um taxista palestino estacionado atrás de uma barreira israelense que isola a Rodovia 443 de uma aldeia.

Motoristas israelenses lamentaram a decisão judicial. "(Os juízes) não levaram em conta a razão pela qual os bloqueios foram feitos --e foi só por segurança, ok? Nada de apartheid, nada de racismo, nada de desigualdade", disse à Reuters um motorista que se identificou como Ishai, passando lentamente por um posto de controle militar na estrada.

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