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O conservador José Antonio Kast, que no último dia 11 assumiu a presidência do Chile, começou seu mandato em ritmo acelerado, colocando em movimento duas iniciativas que havia prometido durante a campanha: um muro na fronteira norte do país, para conter a imigração ilegal, e um pacote de mudanças econômicas que contemplam sua meta de um choque liberal na nação andina.
No dia 16, Kast esteve em Arica, na fronteira com o Peru, para o lançamento do Plano Escudo Fronteiriço. O ponto de maior visibilidade do projeto é um sistema de muros e cercas de segurança de 5 metros de altura, além de trincheiras de 3 metros de profundidade em áreas de grande fluxo migratório com o objetivo de impedir o acesso de veículos e a passagem de caravanas.
Não se sabe ao certo qual será a extensão exata do muro, mas o ministro do Interior, Claudio Alvarado, estimou em 500 km os limites “porosos” nos cerca de mil km da fronteira norte do Chile, com Peru e Bolívia.
Tais obras serão acompanhadas por patrulhas constantes das Forças Armadas e dos Carabineiros (a polícia nacional do Chile) na região, torres de vigilância e radares térmicos para permitir a detecção imediata de movimentos suspeitos e drones autônomos com câmeras de reconhecimento facial, infravermelhas e térmicas que operarão em tempo integral.
“O Escudo Fronteiriço se sustenta em grande parte em tecnologia, para poder liberar recursos humanos, que são os mais escassos”, disse o general reformado do Exército e atual senador Cristián Vial, idealizador do plano, em entrevista ao jornal El País.
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Kast apresenta projeto de reconstrução do Chile
Entusiasta da política econômica liberal do regime do ditador Augusto Pinochet (1973-1990), de quem seu irmão Michael foi ministro e presidente do Banco Central, Kast também busca reformas econômicas no país.
Este mês, seu ministro da Fazenda, Jorge Quiroz, apresentou ao Congresso chileno um conjunto de medidas chamado de Projeto de Reconstrução Nacional.
A proposta inclui redução da burocracia e de licenças, com o objetivo de destravar investimentos, e redução da alíquota do imposto para médias e grandes empresas de 27% para 23%, em consonância com as médias da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), da qual o Chile faz parte.
“O objetivo é que os projetos privados possam ser retomados mesmo antes da implementação completa dos cortes de impostos, com base na recuperação da confiança e no respeito ao marco legal”, informou o Ministério da Fazenda.
O pacote também prevê um subsídio macroeconômico, “sem burocracia ou barreiras de acesso”, segundo o comunicado da pasta, para apoiar os empregadores no pagamento das contribuições previdenciárias de trabalhadores formais.
O projeto inclui ainda a isenção do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) sobre imóveis residenciais por 12 meses para facilitar o acesso à moradia e de tributos sobre a primeira casa própria de idosos.
Novo presidente quer corte de gastos com manutenção de benefícios sociais
Além dessas medidas, Kast tem um plano ambicioso de corte de gastos que somaria US$ 6 bilhões por ano, sem eliminação de benefícios sociais.
Durante a campanha, em debate no Canal 13, o conservador disse que “US$ 3 bilhões virão de ajustes no Estado e US$ 3 bilhões de ajustes legislativos”.
No Executivo, Kast detalhou que a economia virá de três eixos principais: combate à corrupção, aumento da eficiência da gestão pública e austeridade fiscal.
“Se analisarmos a questão das fraudes, encontraremos quase US$ 1 bilhão; se analisarmos a eficiência, encontraremos pelo menos mais US$ 1 bilhão; e se analisarmos a austeridade, encontraremos mais US$ 1 bilhão”, argumentou.
Um relatório deste mês da agência de classificação de risco Fitch destacou que o Chile, governado até o início do mês pelo esquerdista Gabriel Boric, apresentou um déficit estrutural de 3,6% do PIB ao final de 2025, ultrapassando a meta de equilíbrio estrutural do país pelo segundo ano consecutivo. O déficit fiscal aumentou para 2,8% do PIB.
“Os planos do presidente chileno, José Antonio Kast, para conter rapidamente as finanças públicas serão complicados por um déficit orçamentário maior do que o previsto e pela disparada dos preços do petróleo”, afirmou a Fitch.











