Kosovo e Sérvia anunciaram na sexta-feira um acordo temporário para atenuar as tensões no norte kosovar e permitir que a Otan continue a fazer a vigilância em dois postos fronteiriços que registraram incidentes violentos dias atrás.
Mas membros da minoria étnica sérvia do norte de Kosovo se recusaram a aceitar uma parte crucial do acordo, e prometeram manter um bloqueio rodoviário na região.
"Vamos manter as barricadas porque, como prefeitos do norte de Kosovo, somos obrigados a respeitar a opinião dos locais", disse Dragisa Milovic, prefeito de Zvecan, uma das maiores cidades da região.
Kosovo, onde a população é majoritariamente da etnia albanesa, é uma antiga província sérvia que declarou independência em 2008. Mas o norte kosovar ainda abriga uma importante minoria sérvia com cerca de 60 mil pessoas, que veem Belgrado como a sua legítima capital.
"Não queremos nos opor ao Estado sérvio, mas queremos respeitar as suas decisões", disse Milovic a centenas de pessoas que mantêm o bloqueio, o que desafia as promessas feitas pelo principal mediador sérvio, que visitou o local.
A violência na região explodiu na semana passada, quando o governo kosovar tentou assumir o controle dos dois postos fronteiriços, até então comandados pela minoria sérvia.
O governo de Kosovo queria impor uma proibição de importação de produtos sérvios, retaliando medidas semelhantes adotadas por Belgrado em relação aos produtos kosovares. Um policial chegou a ser morto no confronto.
O acordo de sexta-feira deixa em aberto a questão de quem controla o norte de Kosovo.



