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Em sua reflexão lida após a oração do terço na Basílica de São Pedro, em Roma, o papa Leão XIV falou em um “delírio de onipotência que se torna cada vez mais imprevisível e agressivo à nossa volta”, criticou aqueles que usam o nome de Deus para justificar guerras, e afirmou que, com a oração, pensamentos, palavras e obras, é possível romper a “cadeia demoníaca do mal”. O evento, realizado no fim da tarde deste sábado (no horário de Roma, início da tarde no Brasil), havia sido convocado pelo papa no domingo de Páscoa.
Leão XIV citou São João Paulo II, que era um jovem adulto quando os nazistas invadiram a Polônia e também viveu sob o regime comunista implantado depois em seu país. Em 2003, o pontífice polonês afirmou: “Eu pertenço à geração que viveu a Segunda Guerra Mundial e lhe sobreviveu. Tenho o dever de dizer a todos os jovens, aos que são mais jovens do que eu, que não tiveram esta experiência: ‘Nunca mais a guerra’, como disse Paulo VI na sua primeira visita às Nações Unidas. Devemos fazer tudo o que é possível! Sabemos bem que a paz não é possível a qualquer preço. Mas sabemos todos como é grande esta responsabilidade”.
O papa não citou nenhum conflito específico na tarde deste sábado, mas em várias outras ocasiões – especialmente aos domingos, durante a oração do Angelus ou do Regina Caeli (rezada no tempo pascal) – já mencionou a guerra entre Rússia e Ucrânia e conflitos na África e no Oriente Médio, onde Israel tem conduzido uma campanha militar contra o Hamas na Faixa de Gaza e o Hezbollah no Líbano, e onde Irã e Estados Unidos também estão em conflito, tendo iniciado negociações de paz no Paquistão.
Aos governantes, o papa lançou um apelo: “Parai! É tempo de paz! Sentai-vos às mesas do diálogo e da mediação, não às mesas onde se planeia o rearmamento e se deliberam ações de morte!” Ele ainda disse que “é escravo da morte aquele que virou as costas ao Deus vivo para fazer de si mesmo e do próprio poder o ídolo mudo, cego e surdo, ao qual sacrifica todos os valores e diante do qual pretende que o mundo inteiro se ajoelhe”. Leão XIV contrapôs o sofrimento das crianças ao orgulho com que adultos se referem a seus atos de guerra. “Recebo muitas cartas de crianças das zonas de conflito: ao lê-las, percebe-se, com a verdade da inocência, todo o horror e a desumanidade das ações que alguns adultos exaltam com orgulho. Ouçamos a voz das crianças!”, afirmou.







