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Justiça

Líbia condena à morte acusados de infectar crianças com HIV

Trípoli – Um tribunal de Trípoli sentenciou ontem cinco enfermeiras búlgaras e um médico palestino à morte por infectar deliberadamente 426 crianças com o vírus da aids em um hospital de Benghazi, Líbia, em 1998. O tribunal rejeitou levar em conta várias evidências científicas independentes que indicam que a infecção teve origem antes que os acusados começassem a trabalhar no hospital e ainda a falta de higiene do local.

Os advogados de defesa disseram que os acusados apresentarão um recurso contra a nova sentença dentro de 60 dias. O grupo já havia sido condenado à morte – por fuzilamento – em 2004, mas a Suprema Corte anulou o veredicto após os protestos contra a parcialidade do julgamento.

As sentenças provocaram críticas internacionais. A secretária norte-americana de Estado, Condoleezza Rice, que se reuniu ontem com o chanceler búlgaro, Ivailo Kalfin, manifestou seu desapontamento. O chanceler líbio, Abdurrahman Shalgham, também ontem, que "a Líbia não cederá à pressão da América, da Europa, nem de lugar algum". Segundo ele, "ninguém pode interferir em nossa justiça, mesmo nosso líder, coronel (Muamar) Kadafi".

No entanto, nos bastidores, os Estados Unidos e a Europa tentam encontrar uma solução diplomática capaz de eveitar as execuções. Como o caso representa um revés para as ambições da Líbia de melhorar suas relações com o mundo ocidental, analistas ainda acreditam que possa haver um acordo que impeça a execução dos seis condenados. Sob a lei islâmica, as famílias das vítimas podem revogar sentenças de morte em troca de compensação.

O governo de Trípoli pediu US$ 13,1 milhões para a família de cada uma das 426 crianças infectadas, das quais 52 já morreram. A Bulgária rejeitou a proposta, alegando que isso seria uma admissão de culpa, mas ofereceu a criação de um fundo para que elas sejam tratadas em hospitais europeus. Há quem considere que o governo líbio esteja usando a condenação para acalmar as famílias enquanto não obtém recursos para pagar as indenizações.

As enfermeiras e o médico declararam-se inocentes ontem, voltando atrás das confissões que, segundo eles, foram obtidas sob tortura. Eles disseram que foram transformados em bodes expiatórios para a falta de higiene do hospital.

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