
Mesmo sob a pressão da Doutrina Donroe do governo Donald Trump, países governados pela direita na América Latina, como El Salvador, Chile e Equador, intensificaram suas agendas com a China em agosto de 2026. Os encontros em Pequim mostram que a necessidade econômica e o comércio bilateral, que saltou de US$ 14 bilhões em 2000 para US$ 500 bilhões em 2024, superam o alinhamento ideológico com os EUA.
Quais países de direita visitaram a China recentemente?
Representantes de El Salvador, Chile e Equador estiveram em Pequim para reuniões de alto nível. Ernesto Castro, de El Salvador, buscou fortalecer as relações bilaterais e a cooperação prática com o legislativo chinês. O ministro chileno Francisco Pérez Mackenna realizou uma visita de cinco dias focada em encontros com autoridades e empresários locais. Já o presidente equatoriano, Daniel Noboa, reuniu-se com o líder chinês Xi Jinping, resultando na assinatura de sete acordos de cooperação em áreas estratégicas como segurança, comércio, educação, energia e economia digital.
Como os Estados Unidos reagem a essa aproximação?
O governo americano tem manifestado incômodo com a influência de Pequim. Um ponto central de atrito é o Porto de Chancay, no Peru, operado por chineses e rotulado por parlamentares republicanos como um 'Dragão de Troia'. Recentemente, uma decisão judicial peruana que obriga a supervisão estatal do terminal foi celebrada pelo embaixador dos EUA. Além disso, diplomatas americanos na Argentina se posicionaram contra o uso de tecnologia chinesa na exploração de petróleo e gás em Vaca Muerta, temendo o avanço tecnológico do regime comunista em setores sensíveis do continente.
Existe uma ruptura política desses governos com Washington?
Não necessariamente. Segundo especialistas, ocorre uma dissociação entre o alinhamento político e o econômico. Países como Chile e El Salvador podem continuar apoiando os Estados Unidos em temas como segurança, migração e oposição ao regime venezuelano, enquanto mantêm relações comerciais profundas com a China. A estratégia de Donald Trump não é vista como um fracasso total, mas sim como uma negociação permanente onde algumas áreas de tecnologia e defesa podem ser reservadas aos interesses americanos, enquanto a exportação de produtos básicos segue para o mercado chinês.
O que os EUA precisam fazer para frear a expansão chinesa?
Para recuperar o espaço perdido, os Estados Unidos precisam oferecer alternativas reais de financiamento e mercado, em vez de apenas exercer pressão política. A análise indica que Washington deve mobilizar bancos de investimento e capital privado para apresentar propostas de infraestrutura que compitam com as chinesas. Além disso, é necessário desenvolver acordos comerciais mais ambiciosos que reduzam barreiras para produtos latino-americanos e permitam que esses países participem mais da industrialização de minerais críticos, agregando valor às suas economias locais.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.





