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Reunião de cúpula

Liga Árabe rechaça prisão do presidente do Sudão

Decisão causa constrangimento ao Brasil e outros países sul-americanos, que participam de encontro hoje com árabes

Bashir (centro) chega para a sessão de abertura de reunião em Doha: apoio dos líderes árabes e críticas à ONU | Ahmed Jadallah/Reuters
Bashir (centro) chega para a sessão de abertura de reunião em Doha: apoio dos líderes árabes e críticas à ONU (Foto: Ahmed Jadallah/Reuters)
Veja que a Liga Árabe é uma organização de estados árabes formada por 22 países |

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Veja que a Liga Árabe é uma organização de estados árabes formada por 22 países

Doha, Catar - Sem esconder as muitas divergências que os separam, os países da Liga Árabe tiveram ontem, em Doha, um raro momento de consenso ao apoiar o ditador do Sudão, Omar al-Bashir, e rejeitar a ordem de prisão emitida contra ele pelo Tribunal Penal Internacional (TPI).

A mesma solidariedade será solicitada hoje aos líderes sul-americanos, durante a reunião de cúpula com os países árabes, que ocorrerá também na capital do Qatar. A presença de Bashir em Doha, em desafio à denúncia por crimes contra a humanidade, cria um constrangimento ao Brasil e outros países da região signatários do TPI.

A declaração final da cúpula estabelece um grupo para buscar o indiciamento de responsáveis por crimes de guerra na recente ofensiva israelense em Gaza. Além disso, dá um ultimato, advertindo que a iniciativa de paz árabe de 2002 poderá perder efeito se Israel não se mostrar disposto a negociar.

Recebido em Doha com todas as honras pelo emir do Qatar, Sheik Hamad bin Khalifa al Thani, Bashir teve ontem o apoio que buscava na cúpula anual da Liga Árabe. Seus membros acusam o TPI de parcialidade ao indiciar o Sudão, mas não os autores de supostos crimes cometidos nos territórios palestinos e no Iraque.

O ditador da Síria, Bashar al-Assad, deu o tom do apoio a Bashir com o discurso que abriu a cúpula árabe. "O que está acontecendo com o Sudão é mais um capítulo dos esforços para enfraquecer os árabes’’, disse.

Mal-estar

Antes de ganhar a palavra, Bashir passou por um mal-estar, quando o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, criticou com veemência a decisão do Sudão de expulsar 13 organizações humanitárias internacionais da região de Darfur depois da emissão da ordem do TPI.

"Estou extremamente preocupado com a decisão do governo de expulsar organizações humanitárias e de suspender outras que garantem a sobrevivência de mais de um milhão de pessoas’’, disse Ban.

Mas Bashir, que é acusado por crimes na região de Darfur, onde a ONU estima que cerca de 300 mil pessoas morreram desde 2003, manteve-se desafiador. Agradeceu o apoio dos países árabes e pediu o cancelamento do mandado de prisão. Dentro da Liga Árabe há divisões entre os que são a favor do cancelamento e os que preferem sua suspensão por um ano.

"Somos contra o indiciamento de Bashir, mas queremos que a suspensão ocorra no Conselho de Segurança da ONU’’, disse à reportagem o secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa.

Dos 22 membros da Liga Árabe, só 3 são signatários do TPI – Jordânia, Comoros e Djibuti –, portanto com obrigação de cumprir o mandado de prisão contra Bashir. Uma das tensões surgidas na cúpula foi causada pela exigência do Sudão de que eles se retirem do TPI, o que foi rejeitado.

Logo no início da cúpula, o ditador líbio, Muamar Gaddafi, rompeu com qualquer ilusão de unidade árabe. Inconformado por não ter o direito de falar, atacou o rei Abdullah, da Arábia Saudita, um antigo desafeto, e abandonou o salão de conferência.

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