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Oriente Médio

Lula apoiaria Hamas, diz Amorim

Ministro de Relações Exteriores admite que governo já teve contato com os militantes palestinos no passado

Militante do Hamas faz segurança na fronteira de Gaza com o Egito: apoio de Lula, apesar de ser considerado terrorista | Ismail Zayd/Reuters
Militante do Hamas faz segurança na fronteira de Gaza com o Egito: apoio de Lula, apesar de ser considerado terrorista (Foto: Ismail Zayd/Reuters)

O chanceler Celso Amorim ad­­mitiu que o Brasil estaria disposto a estabelecer um diálogo com o grupo Hamas, alvo de um boicote dos países ocidentais, e quer ajudar a monitorar um eventual relançamento do processo de paz no Oriente Médio. Mas recebeu ontem um duro recado do governo da Au­­toridade Palestina: uma aproximação ao Hamas po­­de dar a impressão ao grupo considerado como terrorista de estar ganhando legitimidade in­­ter­­na­cional.

O chanceler brasileiro manteve em Genebra uma reunião com o ministro de Relações Ex­­teriores da Autoridade Palestina, Riad Mal­­ki. Na pauta, a participação do Brasil no monitoramento da implementação do processo de paz na região, uma nova posição que o Itamaraty quer garantir nos próximos meses.

Na agenda do encontro, os mi­­nistros ainda trataram da realização de uma conferência mun­­dial no Brasil sobre a Palestina e a confirmação da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos territórios palestinos, Israel e Jordânia, na semana do dia 15 de março. O presidente também po­­de pagar a visita do iraniano Mah­­moud Ahmadinejad.

Malki, como já fez em abril de 2009, criticou o Quarteto (grupo que promove o processo de paz: Rússia, Estados Unidos, União Eu­­ropeia e ONU) e defendeu que uma conferência mais ampla se­­ja convocada para lidar com a paz no Oriente Médio, inclusive com a participação do Brasil.

"Muitos países têm o direito de dar sua contribuição para o processo de paz. Se o Brasil quiser ter esse papel, devemos considerar. Isso ajudará o processo de paz", disse o palestino. "Nós sen­­timos que o Quarteto não faz o suficiente para fazer avançar o processo de paz. Ele deveria ser aberto e permitir que novas ideias sejam injetadas. O Brasil mostrou que quer contribuir", afirmou Malki.

Os palestinos acusam os israelenses de estarem bloqueando a retomada do processo de paz. Em um eventual relançamento, que­­rem um grupo de países mais próximos aos interesses palestinos para monitorar o cum­­pri­­men­­to das obrigações.

Modelo latino

Amorim confirmou que o Brasil quer participar no monitoramento do processo de paz e citou o modelo da América Central nos conflitos nos anos 80 como exemplo que poderia ser seguido. Naquela ocasião, havia um grupo de moderadores.

Para o chefe da diplomacia brasileira, a ideia é que, em uma eventual retomada do processo de paz, o Itamaraty possa ficar encarregado de monitorar um aspecto do tratado, como fronteiras ou outro tema.

Amo­­rim também não descarta que esse monitoramento seja feito por um grupo, como Brasil, Áfri­­­­­­ca do Sul e Índia. Se isso ocorresse, o grupo lançado pelo Brasil para atuar no cenário internacional poderia ter sua primeira atuação.

Viagem

Sobre a viagem de Lula ao Orien­­te Médio, Amorim garante que ele não irá com "soluções mágicas". "As soluções estão lá. Já sa­­bemos o que podemos obter co­­mo resultado. Mas a questão é co­­­­mo será a implementação do processo de paz. E não reinventar o processo", explicou Amo­­rim, que garante que o Brasil não está buscando protagonismo.

Amorim ainda admitiu que o governo brasileiro manteve "con­­tatos informais com o Ha­­mas no passado". Mas não disse nem quando e nem quem fez o contato. Apenas indicou que estaria disposto a repeti-lo se isso fosse ajudar o processo.

"Se isso ajudar, não excluo. Acreditamos no poder da razão. Talvez seja inocente. Mas temos de conversar", disse, ao responder a uma pergunta da imprensa internacional sobre se estaria disposto a conversar com o Ha­­mas diretamente.

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