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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu nesta terça-feira (16) com os presidentes da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do Conselho Europeu, António Costa, para tratar das divergências relativas às restrições de exportações brasileiras de carne e aço.
Em reunião realizada durante a cúpula do G7, que se estende até esta quarta-feira (17) na cidade francesa de Évian, os três líderes se comprometeram a encontrar soluções para essas disputas por meio do diálogo entre o Ministério das Relações Exteriores do Brasil e a Comissão Europeia, segundo comunicado da Presidência da República.
Ambos os lados deverão levar em consideração "as preocupações europeias — sejam elas relacionadas à saúde, às medidas fitossanitárias ou à proteção da indústria siderúrgica — bem como os legítimos interesses dos exportadores brasileiros, consagrados no acordo Mercosul-União Europeia".
Este acordo, que levou 25 anos para ser negociado, foi assinado em janeiro de 2026, e suas disposições comerciais entraram em vigor provisoriamente em 1º de maio, enquanto as etapas para a ratificação definitiva ainda estavam pendentes.
Poucos dias após sua entrada em vigor, Bruxelas anunciou que o Brasil estava sendo excluído da lista de países que podem exportar carne ou produtos de origem animal para a UE, devido a preocupações com o uso de antibióticos na pecuária, e alertou que, para recuperar o acesso ao mercado europeu, o país terá que demonstrar conformidade com as normas europeias.
Essa medida da UE, que entrará em vigor em 3 de setembro, impedirá o Brasil de exportar frango, ovos e outros produtos de origem animal para o bloco europeu, um comércio que, segundo dados oficiais, movimenta cerca de US$ 1,8 bilhão anualmente (aproximadamente € 1,55 bilhão).
De acordo com as normas da UE, o uso de antibióticos na pecuária para aumentar o crescimento ou a produção é proibido, assim como o tratamento de animais com antimicrobianos reservados para infecções humanas.
Essa diferença, no entanto, não foi mencionada por Costa e Von der Leyen em suas redes sociais. Eles publicaram mensagens idênticas enfatizando o potencial que o acordo oferece a ambos os blocos.
"O acordo UE-Mercosul não foi a linha de chegada. Foi o ponto de partida", afirmaram Von der Leyen e Costa, destacando que os 27 Estados-membros e o Brasil "enxergam o mundo com os mesmos olhos".
A UE e o Brasil acreditam, segundo Costa e Von der Leyen, "na abertura e no progresso por meio da cooperação".
"Da energia limpa à inovação e à ação climática, há muito mais que podemos alcançar juntos", declararam, acrescentando que é "bom saber que podemos contar uns com os outros" neste momento de incerteza.
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