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Técnica checa conexões no interior do túnel subterrâneo do LHC | Reprodução / Cern
Técnica checa conexões no interior do túnel subterrâneo do LHC| Foto: Reprodução / Cern

A ativação do LHC - maior acelerador de partículas do mundo -, nesta quarta-feira (10), terá um sabor especial para o Brasil. O projeto multibilionário contou com a colaboração de cientistas brasileiros.

Não existem componentes nacionais nos detectores que compõem o complexo gerido pelo Cern (Organização Européia para a Pesquisa Nuclear). "Em vez de produzir elementos para um detector lá, optamos por participar trabalhando com processamento, aqui", disse ao G1 Sérgio Novaes, físico da Unesp (Universidade Estadual Paulista) que coordena o grupo que trabalhará com os dados do acelerador de partículas europeu.

Dessa maneira, a participação brasileira se envolve bastante com a produção científica do LHC, mas também cria recursos de computação em solo nacional que poderão ser usados para outros fins. "Estamos dotando o estado de São Paulo de uma completa infra-estrutura de 'grid'", afirma Novaes, destacando o sistema de processamento paralelo que envolve a montagem de uma rede superpotente de computadores para lidar com os copiosos dados fornecidos pelos detectores do acelerador de partículas.

Dupla participação

A rede de processamento brasileira, denominada Sprace (Centro Regional de Análise de São Paulo), trabalhará principalmente com dados do experimento CMS - trata-se de um detector de grande porte instalado no anel do LHC que é considerado de "uso geral". Cabe a ele colher dados sobre todas as partículas produzidas pela colisão de prótons, para que os cientistas possam então identificá-las.

Existe também a possibilidade de que os brasileiros analisem dados coletados pelo detector Alice - um experimento que tem por objetivo observar condições similares às que o universo tinha pouco tempo depois do Big Bang, a grande explosão que teria dado origem ao cosmos como o conhecemos.

A principal motivação para a construção do LHC - a um custo de, por baixo, 3 bilhões de euros, e há quem diga que está mais para 10 bilhões - foi a busca pelo chamado bóson de Higgs. Trata-se de uma partícula prevista pelo chamado modelo padrão, teoria que descreve as relações entre todas as partículas que compõem a matéria e a energia no universo.

Para Sérgio Novaes, entretanto, a expectativa maior será a de não encontrá-lo. "Eu espero que o novo surja, que o diferente surja, que a natureza se revele nesses novos experimentos, num nível de energia nunca atingido antes", diz.

Caso o Higgs não apareça, será preciso descobrir de que outra forma as partículas do modelo padrão adquirem sua massa.

E outro campo potencialmente interessante é o dos fenômenos que ainda não são nem marginalmente explicados pelo modelo padrão: a matéria escura e a energia escura.

"Não, o modelo padrão não diz absolutamente nada sobre isso", afirma Novaes. "São descobertas muito novas, ainda precisam ser devidamente assimiladas. Mas, claro, podem surgir coisas novas no LHC que expliquem isso. Talvez seja possível matar dois coelhos de uma vez só."

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