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Placa Sul-Americana

Maiores terremotos da América do Sul: relembre 7 grandes tremores que atingiram a região

Terremoto na Colômbia em 2026.
Equipes de resgate trabalham entre os escombros de uma edificação que desabou em Cali após o terremoto de magnitude 7,4 que atingiu a Colômbia em 10 de agosto de 2026. (Foto: Ernesto Guzmán Jr/EFE)

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O terremoto que atingiu a Colômbia na manhã de segunda-feira (10) voltou a expor a força da atividade sísmica na América do Sul. Com magnitude 7,4, o tremor teve epicentro próximo a San José del Palmar, no departamento de Chocó, e foi sentido em cidades como Cali, Pereira, Manizales e Bogotá.

Na manhã desta terça-feira (11), o balanço local já apontava 179 mortos, além de centenas de feridos e pessoas ainda desaparecidas. Prédios desabaram e estruturas de transporte também foram afetadas.

O abalo colombiano, embora tenha provocado uma tragédia de grandes proporções, está longe de figurar entre os maiores terremotos já registrados no continente. A América do Sul, principalmente ao longo de sua costa oeste, já foi palco de alguns dos mais poderosos terremotos conhecidos pela ciência.

O exemplo mais impressionante ocorreu no Chile, em 1960. Com magnitude 9,5, o terremoto de Valdivia permanece como o maior terremoto do mundo registrado por instrumentos. O evento foi tão intenso que provocou um tsunami que atravessou o Oceano Pacífico e atingiu locais tão distantes quanto Havaí, Japão e Filipinas.

Por que a América do Sul registra terremotos tão fortes?

A explicação está principalmente no encontro de placas tectônicas na margem oeste do continente. Em grande parte da costa do Chile, Peru, Equador e Colômbia, a Placa de Nazca mergulha sob a Placa Sul-Americana, em um processo chamado subducção.

O movimento acumula tensão na região de contato entre as placas. Quando essa energia é liberada de maneira abrupta, ocorre um terremoto. Em determinadas situações, o deslocamento do fundo do oceano também pode provocar tsunamis.

Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), a zona de subducção entre as placas de Nazca e Sul-Americana produziu diversos terremotos de magnitude 8 ou superior desde o início do século 20.

É nesse contexto que estão alguns dos maiores terremotos da América do Sul. A lista abaixo reúne sete dos eventos de maior magnitude associados à região, considerando tanto registros instrumentais quanto estimativas científicas para terremotos históricos.

1. Valdivia, Chile - 1960 | magnitude 9,5

O terremoto de 22 de maio de 1960 é o maior terremoto da América do Sul e também o maior terremoto do mundo já registrado instrumentalmente. O epicentro ficou próximo à costa sul do Chile, e a ruptura se estendeu por cerca de mil quilômetros.

Parte da destruição provocada pelo terremoto de Valdivia, no Chile, em 1960, o maior terremoto da América do Sul e o mais intenso já registrado no mundo.Parte da destruição provocada pelo terremoto de Valdivia, no Chile, em 1960, o maior terremoto da América do Sul e o mais intenso já registrado no mundo. (Foto: Wikimedia Commons)

O tremor provocou alterações permanentes na paisagem, com áreas que afundaram ou se elevaram vários metros, além de mudanças no curso de rios.

O tsunami gerado pelo deslocamento do fundo do oceano atingiu o Chile e atravessou o Pacífico, causando mortes e destruição em outros países. O USGS estima cerca de 1.655 mortos e 2 milhões de desabrigados.

2. Chile-Peru - 1877 | magnitude estimada entre 8,8 e 9,0

Um dos gigantes sísmicos que antecederam os registros instrumentais ocorreu em 9 de maio de 1877, no norte do Chile, em uma região conhecida atualmente como área sísmica de Iquique.

Durante décadas, estimativas diferentes foram atribuídas ao terremoto. Estudos recentes que analisaram registros históricos de tsunamis indicam magnitude entre 8,8 e 8,9, colocando o evento entre os maiores da história sul-americana.

O terremoto provocou um tsunami que atravessou o Pacífico e atingiu diferentes localidades. A reavaliação desse evento é importante porque mostra que terremotos históricos podem ter sido ainda maiores do que indicavam estimativas antigas.

3. Peru-Chile - 1868 | magnitude estimada entre 8,8 e 9,1

Outro terremoto gigantesco ocorreu em 13 de agosto de 1868, atingindo a região de Arica, então pertencente ao Peru e atualmente parte do Chile. O evento destruiu cidades e provocou um tsunami de grandes proporções.

Estimativas mais recentes baseadas em registros de ondas observadas no Pacífico apontam magnitude entre 8,8 e 9,1. O terremoto está entre os maiores eventos conhecidos da zona de subducção da América do Sul e também aparece entre os mais mortais da história da região, com estimativas de cerca de 25 mil mortes.

4. Equador-Colômbia - 1906 | magnitude 8,8

Em 31 de janeiro de 1906, um terremoto atingiu a região costeira entre Equador e Colômbia. O USGS atualmente estima que o evento tenha alcançado magnitude 8,8, revisão que o coloca entre os maiores terremotos já registrados no mundo.

O tremor provocou um tsunami que matou entre 500 e 1.500 pessoas na região. As ondas também foram observadas ao longo da costa da América Central e chegaram a lugares distantes no Pacífico, incluindo o Havaí e o Japão.

5. Maule, Chile - 2010 | magnitude 8,8

Em 27 de fevereiro de 2010, o centro-sul do Chile foi atingido por um terremoto de magnitude 8,8. O tremor ocorreu no mar, próximo à região de Maule, e também provocou um tsunami.

Moradores removem escombros após o terremoto de Maule, no Chile, em 2010, que atingiu magnitude 8,8 e provocou um tsunami.Moradores removem escombros após o terremoto de Maule, no Chile, em 2010, que atingiu magnitude 8,8 e provocou um tsunami. (Foto: Wikimedia Commons)

O desastre matou mais de 500 pessoas, deixou centenas de milhares de desabrigados e provocou danos estimados em cerca de US$ 30 bilhões. O evento foi um dos maiores terremotos instrumentais já registrados e atingiu uma região localizada ao norte da área rompida pelo terremoto de 1960.

6. Atacama, Chile - 1922 | magnitude 8,5

Em 11 de novembro de 1922, um terremoto de magnitude 8,5 atingiu a região de Atacama, no norte do Chile, próximo à fronteira com a Argentina. O tremor provocou um tsunami que atingiu áreas do litoral chileno e também foi registrado no Havaí.

O evento é um dos maiores terremotos sul-americanos do século 20 e aparece na relação histórica do USGS entre os maiores terremotos registrados desde 1900.

7. Arequipa, Peru - 2001 | magnitude 8,4

Em 23 de junho de 2001, um terremoto de magnitude 8,4 atingiu o sul do Peru, principalmente a região de Arequipa e áreas próximas. O evento provocou mortes, destruiu milhares de casas e também gerou um tsunami.

O terremoto ocorreu na zona de subducção entre as placas de Nazca e Sul-Americana e é um dos principais exemplos recentes da capacidade de geração de grandes abalos nessa região. Estudos indicam que o evento rompeu parte da mesma grande zona sísmica associada a terremotos históricos do litoral peruano.

E o Brasil corre risco de terremotos dessa dimensão?

Apesar de estar na mesma placa tectônica, o Brasil ocupa uma posição diferente daquela encontrada na costa do Pacífico. O país está no interior relativamente estável da Placa Sul-Americana e, por isso, não apresenta a mesma concentração de grandes terremotos observada no Chile, Peru, Equador e Colômbia.

Isso não significa, porém, que o território brasileiro esteja livre de tremores. O maior "terremoto" registrado no país ocorreu em 1955, na Serra do Tombador, em Mato Grosso, e teve magnitude 6,2. O Serviço Geológico do Brasil ressalta que terremotos ocorrem no território nacional, mas normalmente apresentam magnitudes menores e provocam poucos danos.

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