Madri - O número de pessoas que passam fome no mundo aumentou em 2008 para 963 milhões, contra 832 milhões registrados em 2007, afirmou ontem o diretor da FAO, o braço da Organização das Nações Unidas (ONU) para Alimentação e Agricultura, Jacques Diouf.
Diouf abriu a reunião de auto nível sobre segurança alimentar de 2009, que acontece em Madri até hoje, quando o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, deve anunciar nova meta mundial de combate à fome. A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, enviou uma mensagem gravada à abertura na qual defendeu o multilateralismo nas políticas para a erradicação da fome no mundo, que, segundo ela, é "alta prioridade" no governo do presidente Barack Obama.
"O presidente Obama deixou claro que aliviar a fome ao redor do mundo é uma das maiores prioridades do seu governo", afirmou.
Hillary criticou o preço elevado dos alimentos provocado pela crise mundial e invocou uma "nova parceria" com outros países desenvolvidos e a ONU para alcançar a meta de reduzir pela metade o número de pessoas que passam fome no mundo.
"Estamos comprometidos em construir uma nova parceria para coordenar melhor as políticas para alcançar as Metas do Milênio em 2010", declarou a secretária na gravação.
A reunião de ontem foi uma tentativa da ONU de acelerar a aplicação de recursos prometidos por governos e órgãos mundiais para alcançar a meta citada por Clinton durante a Cúpula sobre Segurança Alimentar realizada em Roma em junho do ano passado.
Segundo Diouf, a cúpula terminou com a promessa de recursos no valor de US$ 22 bilhões, menos do que ele avalia ser necessário para combater o problema US$ 30 bilhões.
Apesar de elogiar iniciativas como a aprovação, na União Europeia, de investimentos de US$ 1 bilhão na agricultura nos próximos anos, Diouf afirmou que os meios financeiros ainda estão aquém das necessidades. Ele também não previu um fim para a crise alimentar iniciada em 2007. "A crise continua", assinalou.
Apesar dos poucos resultados práticos das últimas reuniões da FAO, o diretor do órgão anunciou a intenção de uma nova cúpula mundial em 2009, agora com a participação do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para alcançar um "objetivo rápido para a erradicação da fome no mundo".
Espanha
Também na abertura da reunião, o ministro de Assuntos Exteriores e Cooperação da Espanha, Miguel Angel Moratinos, anunciou compromisso do país em investir 500 milhões de euros (US$ 647 milhões) nos próximos cinco anos para fomentar a produção agrícola em países subdesenvolvidos.
"Temos os recursos e os meios para alcançar um status de segurança alimentar. Não podemos deixar exclusivamente ao mercado essa iniciativa", declarou.
Apesar de o ministro ter defendido ontem mais fundos para ajudar na produção de alimentos em países subdesenvolvidos, o governo espanhol indicou na semana passada que vai investir no protecionismo e fomentar o consumo de produtos nacionais para sair da crise.



