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Embaixador da Consciência''

Mandela recebe prêmio da Anistia Internacional

Ao receber nesta quarta-feira o prêmio de "Embaixador da Consciência'' de 2006, concedido pelo grupo Anistia Internacional, o ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela lamentou a morte de P.W. Botha, seu adversário político. Em nota, o líder da luta contra o apartheid afirmou que Botha abriu caminho para o fim da segregação racial no país.

Presidente da África do Sul no auge do apartheid, Botha morreu na terça-feira aos 90 anos. Ele é considerado um símbolo do regime opressor dos brancos.

Mandela, apontado como um defensor dos oprimidos em um mundo assolado pelos abusos de direitos humanos, recebeu o prêmio das mãos da escritora sul-africana Nadine Gordimer, vencedora do Prêmio Nobel de Literatura de 1991.

A cerimônia aconteceu em Johanesburgo, na sede da fundação criada por Mandela com a finalidade de chamar atenção para causas humanitárias, como as lutas contra a Aids e contra os abusos infantis.

- Mandela representa o ser humano da consciência, seja ele do sexo masculino ou do sexo feminino - afirmou Gordimer a respeito do ativista de 88 anos que liderou a África do Sul no processo de transição do apartheid para a democracia e que se transformou no primeiro presidente negro do país, em 1994. - Ele continua firme, levando adiante a consciência da liberdade em vista dos desafios morais de uma nova era da responsabilidade humana.

Segundo Mandela, tirar as pessoas da pobreza significará restabelecer a dignidade humana. O ex-presidente elogiou o trabalho dos 2 milhões de membros da Anistia Internacional, um grupo dedicado à luta por justiça e ao combate de abusos de direitos.

- Meu desejo mais ardente ao reunir-me com ativistas dos direitos humanos é que levemos esperança para os prisioneiros esquecidos da pobreza - afirmou Mandela.

A Anistia usou o evento para apelar por mais atenção dos líderes mundiais a respeito da proteção às pessoas que estão morrendo todos os dias devido à miséria, às guerras e às doenças.

Na cerimônia, o grupo traçou um paralelo entre Mandela, que passou 27 anos preso devido a sua luta contra o regime controlado pela minoria branca da África do Sul, e os homens mantidos presos pelos EUA na sua base militar da baía de Guantánamo (Cuba) em meio à chamada "guerra contra o terror'.'

- Hoje, pode-se ver um mundo insatisfeito em relação a líderes como Bush (George W. Bush, presidente dos EUA) e Blair (Tony Blair, primeiro-ministro da Grã-Bretanha). Eles leiloaram os sonhos dos valores globais com sua guerra contra o terror - disse Kate Gilmore, vice-secretária-geral executiva da Anistia Internacional. - Nelson Mandela é a antítese desse estilo de liderança.'

O ex-presidente sul-africano retirou-se oficialmente do cenário internacional dois anos atrás, mas ainda realiza aparições em público para defender o combate à Aids e outras causas.

- A luta não terminou para ele - disse George Bizos, um advogado que representou Mandela no famoso julgamento por traição do líder negro, em 1963.

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