
Um século atrás, o norueguês Roald Amundsen (1872-1928) virou herói em seu país e entrou para a história da exploração polar ao ganhar a corrida para o extremo inferior do planeta, o Polo Sul, ao final de um duelo épico com o britânico Robert Falcon Scott.
A data provocou uma corrida turística ao continente gelado. Espera-se um recorde de 500 pessoas incluindo o primeiro-ministro norueguês, Jens Stoltenberg na festa que acontece hoje em um dos lugares mais inacessíveis do planeta, a estação polar americana Amundsen-Scott.
No dia 14 de dezembro de 1911, às vésperas da Primeira Guerra Mundial, num período marcado pelo auge dos nacionalismos, Amundsen foi o primeiro a fincar bandeira, junto com os quatro companheiros de equipe, no ponto mais austral do mundo.
Foi a vitória do escandinavo pragmático sobre o oficial da marinha inglesa. Ambos sonhavam com conquistas: o norueguês cobiçava o Norte, e o inglês, o Sul. "Não conheço nenhum homem que tenha estado um dia num lugar tão diametralmente oposto a seu objeto de desejo como eu estava naquele momento", escreveu Amundsen, sobre sua façanha.
De fato, foram as circunstâncias que o levaram à Antártida. Em plenos preparativos para se dirigir ao Polo Norte, soube que os americanos Robert Peary e Frederick Cook haviam anunciado, cada qual, terem conquistado o Norte.
Eram informações muito controversas, mas convenceram-no a buscar um outro horizonte. Em agosto de 1910, dirigiu-se ao sul às escondidas. Os britânicos, que fizeram da conquista do polo uma questão de honra, sentiram-se desafiados quando souberam do intento de Amundsen.
Inverno austral
Nos primeiros meses, dedicaram-se a testar o material e a montar depósitos de víveres ao longo das rotas previstas. Uma vez passado o inverno austral, assim como sua escuridão e as temperaturas glaciais, Amundsen, que levantara acampamento mais para perto do polo, foi o primeiro a lançar-se à aventura, no dia 20 de outubro.
Depois de observar os esquimós, durante sua travessia do Passo do Noroeste (1903-1906), tirou valiosas lições, como a importância dos cães puxadores de trenó e a superioridade da pele de caribu em relação às roupas de lã.
Para conseguir mobilidade, os trenós ganharam mais leveza e os esquis uma prática na qual os noruegueses são mestres foram bem polidos. Além de serem velozes, os cães são, também, comestíveis: dos 52 que partiram, muitos foram sacrificados e comidos.



