
Ouça este conteúdo
O conselheiro sênior de Comércio e Manufatura da Casa Branca, Peter Navarro, arquiteto da guerra tarifária, afirmou nesta segunda-feira (26) que a brasileira JBS integra o que ele chamou de “cartel da carne” nos Estados Unidos e reiterou que o presidente Donald Trump determinou ao Departamento de Justiça americano a abertura de uma investigação antitruste sobre o setor de processamento de carne bovina no país, que poderia alcançar a empresa brasileira.
Segundo Navarro, em publicação na rede social X, quatro grandes empresas - Cargill, JBS, Tyson Foods e National Beef - concentram mais de 80% do fornecimento de carne bovina nos Estados Unidos. De acordo com o conselheiro, esse nível de concentração reduz a concorrência e cria condições para a formação de preços que prejudicam tanto os pecuaristas americanos quanto os consumidores.
Conforme Navarro, a JBS e a National Beef são “efetivamente administradas a partir do Brasil”. Ele afirma que as exportações brasileiras para a China, maior importadora mundial de carne bovina, ajudam a estabelecer um piso de preços no mercado americano, o que, segundo sua avaliação, limita a competição interna e pressiona os valores pagos pelo consumidor final.
Anunciada em novembro do ano passado, a investigação do Departamento de Justiça contra grandes frigoríficos que atuam nos EUA ainda não teve novos desdobramentos públicos. À época, a Casa Branca afirmou que a apuração buscava identificar práticas de conluio e manipulação de preços por empresas que concentram a maior parte do processamento de carne bovina nos Estados Unidos.
Em artigo publicado no jornal conservador Washington Examiner na última sexta-feira (23), Navarro afirmou que a alta no preço da carne dentro dos EUA não estaria relacionada à inflação, mas à atuação de um “cartel” estrangeiro no controle dos frigoríficos. Segundo ele, os preços não são definidos nas fazendas, mas nos abatedouros, etapa que estaria concentrada nas mãos de poucas empresas.
No texto, Navarro afirma que cerca de 85% do processamento de carne bovina nos Estados Unidos passa por apenas quatro companhias, criando um “gargalo” no mercado. De acordo com o conselheiro, esse modelo permitiria que a demanda externa, especialmente da China influenciasse diretamente o preço pago pelo consumidor americano.
Navarro argumenta no artigo que tensões comerciais registradas no ano passado levaram exportadores brasileiros a redirecionar volumes de carne para o mercado chinês, o que teria reduzido a oferta nos Estados Unidos e pressionado os preços nos supermercados semanas depois.
O conselheiro escreve que, diante desse cenário, Trump ordenou ao Departamento de Justiça a abertura de uma investigação antitruste contra frigoríficos que atuam nos EUA e estão sob controle estrangeiro. Segundo Navarro, a Casa Branca considera a segurança alimentar parte da segurança nacional e defende o uso da legislação antitruste para restaurar a concorrência no setor, inclusive com a possibilidade de desinvestimentos ou divisão de empresas, se necessário.
A Gazeta do Povo procurou a JBS para comentar as declarações de Navarro, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestação da empresa.







