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A cidade francesa de Lyon foi palco de uma grande mobilização no sábado (21), quando cerca de 3,5 mil pessoas se reuniram para homenagear Quentin Deranque — o estudante de 23 anos e ativista da direita nacionalista brutalmente assassinado por militantes de esquerda.
O ato, marcado por silêncio, orações e pedidos de justiça, reuniu manifestantes que carregavam rosas brancas e retratos do jovem. O crime aconteceu no dia 12, nas proximidades de um evento universitário que contou com a presença de uma eurodeputada do partido França Insubmissa (LFI), de orientação de esquerda radical.
Segundo as autoridades, Deranque foi cercado e espancado por ao menos seis homens encapuzados. Ele não resistiu aos ferimentos.
A investigação identificou 11 suspeitos. Sete foram formalmente indiciados, seis deles por homicídio doloso. Entre os detidos está um assessor parlamentar do deputado Raphaël Arnault, ligado ao LFI — o que ampliou o debate político sobre a escalada da violência ideológica no país.
Marcha pacífica
A marcha ocorreu sob forte presença policial e, no geral, de forma pacífica. Faixas com críticas a grupos antifascistas e palavras de ordem contra a radicalização política foram exibidas pelos presentes.
A prefeitura informou, no entanto, que analisa vídeos com registros de saudações nazistas, feitas por indivíduos isolados, durante a manifestação. A prefeita Fabienne Buccio afirmou que qualquer eventual “gesto ou comentário repreensível” será encaminhado ao Ministério Público para apuração.
Tensão diplomática
O caso ultrapassou as fronteiras francesas. A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, classificou o assassinato como “uma ferida para toda a Europa” e um atentado contra a convivência democrática.
Já o presidente francês, Emmanuel Macron, pediu serenidade e anunciou reuniões para discutir medidas de combate a grupos envolvidos em ações violentas.
O episódio também criou uma tensão diplomática entre a França e os Estados Unidos. O ministro das Relações Exteriores francês, Jean-Noël Barrot, convocou o embaixador americano em Paris, Charles Kushner, após declarações da administração Trump classificando o crime como exemplo da “violência política da extrema-esquerda”.
Barrot reagiu afirmando que a França “não tem lições a receber” sobre como lidar com sua violência interna, considerando as declarações uma ingerência em assuntos domésticos.




