Bissau - Militares mataram o presidente da Guiné-Bissau, João Bernardo Nino Vieira, na madrugada de ontem horas após o assassinato de seu principal rival, o chefe das Forças Armadas, Tagmé Na Waié. O Exército nega que esteja em curso um golpe de Estado, rechaçado por governos e organizações internacionais, mas há indícios de divisões entre os militares.
O palácio presidencial foi alvejado com foguetes e metralhadoras por mais de duas horas após a explosão que matou Waié, às 20 horas locais, e destruiu parcialmente o quartel-general da Guiné-Bissau militares leais ao general atribuem ao presidente morto a responsabilidade pelo atentado contra seu líder. Tanto Waié quanto Vieira foram alvo de tentativas de assassinato nos últimos meses.
Um grupo de oficiais ordenou o fechamento das duas estações privadas de rádio da capital, anunciando que "perseguiria os responsáveis pelo ataque e faria justiça, segundo testemunhas. O presidente foi morto a tiros. Sua casa, próxima ao palácio, foi saqueada.
O assassinato de Vieira acirrou temores de agravamento da crise na ex-colônia portuguesa, uma das principais rotas de distribuição de cocaína latino-americana para a Europa.
A União Africana rejeitou "qualquer tentativa inconstitucional de mudança de governo na Guiné-Bissau. A ONU, a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), a União Europeia, e diversos países, entre eles os do Brasil, de Portugal e dos EUA, também defenderam uma solução institucional para a crise. Uma missão da CPLP chega amanhã ao país.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou ontem, em São Paulo, os assassinatos. "Não podemos nos calar diante de mais um atentado (contra) uma democracia incipiente que estava se construindo, disse o presidente em evento na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
Os militares atribuíram a morte do chefe-de-Estado a "um grupo isolado de soldados não identificados e, em pronunciamento por rádio, afirmaram que vão respeitar as instituições democráticas. A legislação guineense prevê que o presidente da Assembleia, Raimundo Pereira, assuma a Presidência.
Desde a independência, em 1974, a Guiné-Bissau sofreu sucessivos golpes de Estado. Veterano da guerra da contra o domínio português, Vieira, 69 anos, esteve à frente da Presidência três vezes, por quase três décadas, desde o golpe militar de 1980. Em 1994, tornou-se o primeiro presidente eleito. Derrubado em 1999, após um ano de sangrenta guerra civil, retornou ao cargo em 2005.
Cerca de 250 brasileiros vivem no país, sendo 70 na capital. A maioria são padres, pastores e freiras. "Sugeri que permaneçam em casa pelo menos hoje (ontem). Ainda não há segurança suficiente", disse ontem o embaixador do Brasil na Guiné-Bissau, Jorge Geraldo Kadri.
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