Slobodan Milosevic morreu de causas naturais e não envenenado, mas falhas na segurança permitiram que o ex-presidente iugoslavo se automedicasse, disse o tribunal da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta quarta-feira.
"Nada foi encontrado que apoiasse as alegações divulgadas em algumas seções da mídia de que o sr. Milosevic foi assassinado, especificamente por envenenamento", disse um relatório interno feito pelo tribunal sobre a morte de Milosevic em sua cela, em março.
"Não pode ser concluído que houve falha no fornecimento de cuidados específicos por aqueles que cuidaram do sr. Milosevic", disse o documento.
Milosevic morreu na prisão em 11 de março, meses antes da esperada conclusão de seu julgamento por crimes de guerra.
Uma investigação por promotores holandeses concluiu em abril que Milosevic morreu de ataque cardíaco. Estudos toxicológicos não mostraram traços de envenenamento nem de substâncias que poderiam ter provocado um ataque do coração.
Mas as especulações continuaram sobre se Milosevic havia tomado drogas deliberadamente para aumentar sua pressão alta e reforçar seu caso para ser libertado para tratamento médico na Rússia, onde sua mulher e filho moram.
A família de Milosevic acusou o tribunal de assassinar o ex-homem forte sérvio ao recusar-lhe uma viagem para a Rússia para tratamento. O advogado de Milosevic disse que seu cliente escreveu para a Rússia na véspera de sua morte dizendo temer que estivesse sendo envenenado.
"Em várias ocasiões, o sr. Milosevic se recusou a aceitar o conselho dos médicos que o tratavam. Ele não quis tomar remédios receitados e variava a dosagem de outros. Ele também se automedicava", disse o relatório do tribunal.
Como o tribunal havia concedido a Milosevic o direito de se defender, ele recebeu um quarto particular com um telefone e um computador, onde podia se reunir com testemunhas e com seus advogados. Uma testemunha russa confessou ter contrabandeado remédios não prescritos ao ex-ditador.



