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O presidente do Níger, Mohamed Bazoum, foi deposto na última quarta-feira (26) por um levante militar que suspendeu as instituições públicas e a constituição do país
O presidente do Níger, Mohamed Bazoum, foi deposto na última quarta-feira (26) por um levante militar que suspendeu as instituições públicas e a constituição do país| Foto: EFE/Issa Ousseini

Os ministros de Petróleo, Minas e Transportes do Níger, assim como o líder do partido do presidente deposto, Mohamed Bazoum, foram presos entre domingo (30) e esta segunda-feira (31), informaram fontes policiais à Agência EFE.

Trata-se de Sani Issoufou Mahamadou, ministro do Petróleo e filho do ex-presidente Mahamadou Issoufou; Ousseini Hadizatou Yacoub, ministra de Minas; Alma Oumaru, ministro dos Transportes; e Foumakoye Gado, presidente do Partido para a Democracia e Socialismo do Níger (PNSD).

Segundo as fontes, também foram detidas outras pessoas do partido de Bazoum por terem publicado mensagens nas redes sociais convocando uma resistência política.

A junta golpista do Níger pediu nas últimas horas aos cidadãos que não utilizem as redes sociais para “transmitir informações e mensagens políticas suscetíveis de perturbar a ordem pública”, sob ameaça de detenção.

Em um comunicado, a junta, organizada no autodenominado Comitê Nacional para a Salvaguarda da Pátria (CNSP) e chefiada pelo general Abdourahamane Tiani, indica que qualquer pessoa que contrarie a medida "será detida pelas forças de segurança e colocada à disposição da Justiça".

Em várias mensagens publicadas no domingo nas redes, o ex-presidente Issoufou afirmou que negocia a libertação do presidente Bazoum, detido no Palácio Presidencial, em Niamey, "para restaurá-lo às suas funções".

"Desde 26 de julho [dia do golpe], nosso país entrou em uma fase difícil de sua história", disse Issoufou, antecessor de Bazoum e militante do mesmo partido.

A junta golpista no poder anunciou a destituição do presidente, a suspensão da Constituição e a dissolução dos órgãos dela derivados, o fechamento das fronteiras e toque de recolher noturno até nova ordem.

Da mesma forma, assumiu o poder de exercer "todos os poderes legislativos e executivos" enquanto se aguarda "o retorno à ordem constitucional normal".

Acusação contra a França

Os responsáveis pelo levante militar acusaram a França de procurar "formas e meios para intervir militarmente" no país africano para libertar o presidente deposto Mohamed Bazoum.

Em um comunicado lido pelo coronel Amadou Abdramane na televisão pública, os militares alegaram que o país europeu está preparando uma ação "com a cumplicidade" de alguns nigerinos após uma reunião no Estado-Maior da Guarda Nacional.

Segundo Abdaramane, a reunião decorreu na presença do chanceler deposto, Hassoumi Massaoudou - que se proclamou primeiro-ministro interino -, e do comandante da Guarda Nacional, Issa Guire.

“Na sua linha de conduta de procurar formas e meios para intervir militarmente no Níger, a França, com a cumplicidade de alguns nigerinos, realizou uma reunião no Estado-Maior da Guarda Nacional do Níger para obter as necessárias autorizações político-militares”, destacou Abdramane na declaração número 14.

O porta-voz militar leu alguns documentos separados que, segundo ele, foram assinados por Massaoudou e pelo coronel Major Guire.

"Eu, abaixo assinado Hassoumi Massaoudou, autorizo o parceiro francês a efetuar golpes no Palácio Presidencial para libertar o presidente da República, Mohamed Bazoum, sequestrado", lê-se na suposta carta, cujo conteúdo é idêntico ao documento assinado por Guire.

O governo francês advertiu nesse domingo que, se houver ataques contra cidadãos, militares, diplomatas ou empresas francesas no Níger, haverá uma resposta "imediata e decisiva".

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