
Um morador de Rebild, no norte da Dinamarca, encontrou por acaso um tesouro arqueológico de 18,5 quilos de prata em seu quintal em setembro de 2026. A descoberta ocorreu durante a preparação do terreno para a construção de um terraço. O conjunto reúne cerca de 700 objetos do século 10, sendo considerado o maior depósito de prata da Era Viking já registrado em território dinamarquês.
Quais objetos compõem esse achado arqueológico?
O tesouro é composto por aproximadamente 700 itens, incluindo barras de prata, pulseiras, correntes e joias diversas. Além disso, foram encontradas 47 moedas, algumas inteiras e outras fragmentadas, e um amuleto em formato de martelo que remete ao deus Thor, figura central da mitologia nórdica. Um detalhe que chamou a atenção dos especialistas foi uma barra de prata com inscrições rúnicas que formam a palavra 'hutu'. Os pesquisadores ainda trabalham para decifrar se o termo representa o nome de um antigo proprietário ou uma marca específica de identificação de posse da peça.
Como os vikings utilizavam a prata naquela época?
Na Era Viking, a prata funcionava como uma reserva de valor e meio de troca baseado exclusivamente no peso do metal, e não apenas no valor nominal das moedas. Isso explica por que muitas joias e barras encontradas foram deliberadamente cortadas em pedaços menores. Se um comerciante precisasse de uma quantia específica para fechar um negócio, ele simplesmente dividia o objeto de prata até atingir o peso necessário na balança. Por essa característica de armazenamento planejado e fracionado, arqueólogos comparam o achado a um verdadeiro cofre bancário da época viking.
Qual é a origem das moedas encontradas no quintal?
As moedas revelam que a Escandinávia possuía redes comerciais extremamente vastas há mil anos. No conjunto, foram identificadas moedas anglo-saxônicas da Inglaterra, cunhadas durante o reinado de Eduardo, o Velho (899-924), e dirhams, que são moedas vindas do mundo árabe. Essa mistura de moedas de diferentes regiões mostra que os vikings mantinham contatos frequentes e realizavam trocas de valores com povos localizados a milhares de quilômetros de distância, conectando a Dinamarca a centros comerciais do Oriente Médio e da Europa Ocidental de forma muito eficiente.
O que acontecerá com o tesouro e com quem o encontrou?
Seguindo a legislação da Dinamarca, qualquer objeto arqueológico de interesse nacional pertence ao Estado. Por isso, o montante de 18,5 quilos de prata está sob avaliação do Museu Nacional da Dinamarca. O morador que descobriu as peças, e que preferiu manter o anonimato, poderá receber uma recompensa oficial do governo pelo achado excepcional. O objetivo das autoridades culturais da Jutlândia é que, após a conclusão dos estudos e catalogação, todo o conjunto seja exposto ao público no Museu Viking de Fyrkat, preservando a história da formação do reino dinamarquês.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.




