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Personagem

Morre Giulio Andreotti, 7 vezes premiê da Itália

Protagonista da política italiana depois da Segunda Guerra Mundial, o senador vitalício ajudou a escrever a Constituição do país

Amigos e inimigos admiravam a inteligência de Giulio Andreotti e sua compreensão de questões que envolviam política | Max Rossi/Reuters
Amigos e inimigos admiravam a inteligência de Giulio Andreotti e sua compreensão de questões que envolviam política (Foto: Max Rossi/Reuters)

Giulio Andreotti, um símbolo da Itália no pós-guerra e sete vezes primeiro-ministro do país, morreu ontem em Roma. Ele tinha 94 anos.

Ao anunciar a morte, o prefeito da capital italiana, Gianni Alemanno, disse que Andreotti foi "o mais representativo político" que a Itália conheceu na história recente.

No auge da carreira, Andreotti foi um dos homens mais poderosos do país. Ele ajudou a escrever a Constituição após a Segunda Guerra Mundial, manteve-se no Parlamento por 60 anos e serviu como primeiro-ministro sete vezes. Até sua morte, era senador vitalício.

Mas o democrata-cristão amigo de papas e cardeais foi também uma figura controversa que sobreviveu a escândalos de corrupção e acusações de ligação com a Máfia.

O ex-primeiro-ministro era conhecido por sua perspicácia política, seu humor sutil e alusões espirituosas. Com seus olhos penetrantes, lábios finos e figura curvada, ele era facilmente reconhecido por várias gerações de italianos. Amigos e inimigos admiravam sua agilidade intelectual e sua compreensão das questões.

A ascensão de Andreotti na cena política italiana ocorreu juntamente com a ascensão da Itália, que na época emergia de duas décadas de ditadura fascista sob Benito Mussolini (1883-1945). Ele entrou para o conservador Democrata Cristão, foi parte da Assembleia Constituinte que escreveu a Carta Magna do país e foi eleito para o Parlamento em 1948, de onde nunca mais saiu.

Ele ocupou uma série de cargos no gabinete após a guerra, até se tornar primeiro-ministro pela primeira vez em 1972. Vinte anos mais tarde, ele encerrava seu último mandato no cargo.

Embora fosse fervorosamente pró-Estados Unidos e um firme partidário da adesão da Itália à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Andreotti foi o primeiro democrata-cristão a aceitar o apoio dos comunistas, mesmo que indiretamente, em um dos seus governos.

No início da década de 1990, uma grande investigação contra a corrupção liderada por promotores – a chamada operação "Mãos Limpas" – varreu o Parlamento e expôs as ligações com a maioria dos partidos existentes. Os democratas-cristãos estavam entre eles, mas o escândalo não atingiu Andreotti pessoalmente e ele conseguiu permanecer como primeiro-ministro até a eleição de 1992.

Pouco depois, porém, uma acusação ainda mais séria foi feita contra Andreotti. Em 1993, um informante da máfia disse aos promotores que Andreotti estava envolvido no assassinato do jornalista Mino Pecorelli, em 1979.

A promotoria argumentou que a máfia havia matado Pecorelli por ordem de Andreotti. O longo caso, apelidado pelos italianos de "O Julgamento do Século" acabou com sua absolvição em 1999. Um tribunal de apelações o condenou a 24 anos de prisão em novembro de 2002, mas no terceiro e último julgamento, um ano mais tarde, ele foi novamente absolvido.

Contemporâneo de Andreotti, o presidente Giorgio Napolitano disse que a história julgará o ex-primeiro-ministro, mas estendeu sua saudação a um homem que representou "excepcionalmente" a Itália e a Europa. O atual primeiro-ministro italiano, Enrico Letta, limitou-se a elogiar o protagonismo de Andreotti na democracia do país.

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