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Política

Morre Meles Zenawi, o "último imperador" da Etiópia

O vice-primeiro-ministro etíope, Hailemariam Desalegn, assumirá o governo de forma interina

Imagem de arquivo mostra Meles Zenawi na 66ª Assembleia Geral da ONU, em setembro de 2011 | AFP Photo/Emmanuel Dunand
Imagem de arquivo mostra Meles Zenawi na 66ª Assembleia Geral da ONU, em setembro de 2011 (Foto: AFP Photo/Emmanuel Dunand)

O primeiro-ministro etíope, Meles Zenawi, faleceu na noite de segunda-feira (20), anunciou o governo, que não forneceu mais detalhes sobre a morte do ex-líder guerrilheiro, que era chamado de autocrata pelos opositores e de visionários pelos seguidores, como os imperadores históricos da Etiópia.

"O primeiro-ministro Meles Zenawi faleceu ontem à meia-noite", afirmou Bereket Simon, porta-voz do governo etíope.

O vice-primeiro-ministro etíope, Hailemariam Desalegn, assumirá o governo de forma interina.

"Em aplicação à Constituição da Etiópia, o vice-primeiro-ministro tem que comparecer ao Parlamento, que será convocado o mais rápido possível, para prestar juramento", declarou Simon.

"A situação é estável", completou.

Simon afirmou apenas que Zenawi lutava contra problemas de saúde há um ano, mas se considerava pronto para o trabalho.

Meles Zenawi, de 57 anos e peso pesado dos líderes africanos, governava a Etiópia com mão de ferro há 21 anos: em 1991 ele assumiu o poder à frente de uma guerrilha que derrubou o regime do ditador Mengistu Haile Mariam.

Este homem austero entrou para o clube dos dirigentes africanos no poder há mais 20 anos após uma vitória nas eleições de 2010 com direito a 99% dos votos.

Ele tinha menos de 25 anos quando assumiu o comando da FPLT (Frente Popular de Libertação de Tigray) em 1979, apenas cinco anos depois de ter abandonado a Faculdade de Medicina para entrar na rebelião de Tigray, ao norte do país.

Nascido em 8 de maio em Adua (norte), Meles Zenawi ocupou o cargo de presidente da República (1991-1995), antes da mudança na Constituição que transformou a Etiópia em um regime parlamentar.

Ele era parte, ao lado do ruandês Paul Kagame e do ugandense Yoweri Museveni, da geração de dirigentes africanos que chegaram ao poder no fim dos anos 80 e início dos anos 90. O então presidente dos Estados Unidos Bill Clinton considerava que eles poderiam ser "dirigentes do renascimento" africano.

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