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Guerra Fria

Morre o lendário espião Markus Wolf

Markus Wolf, o lendário espião da Alemanha Oriental cujas atividades durante a Guerra Fria teriam inspirado o romancista John le Carré, morreu na manhã desta quinta-feira, aos 83 anos de idade. Segundo o editor de Wolf, o ex-espião morreu enquanto dormia, em Berlim.

Durante seus 34 anos de espionagem, Wolf galgou postos na polícia secreta da Alemanha Oriental, a Stasi, até chegar ao comando da divisão de inteligência estrangeira do órgão. O então espião planejou algumas das operações mais audaciosas da Guerra Fria - entre as quais, a colocação de um agente junto a Willy Brandt, chanceler da Alemanha Ocidental. Em 1974, quando se descobriu a presença do espião inimigo, Brandt acabou sendo deposto.

Após a reunificação da Alemanha, em 1990, Wolf foi entregue a seus inimigos do Ocidente. O espião foi acusado de traição em 1993 e condenado a seis anos de prisão. A pena, porém, acabou sendo suspensa.

Wolf contou ter se encontrado com o guerrilheiro Illich Ramírez Sánchez, conhecido como Carlos, o Chacal. O ex-espião relatou esse episódio em sua autobiografia, intitulada "Man Without a Face'' (homem sem rosto). A Stasi mantinha uma política de fornecer treinamento militar e ajuda para grupos terroristas. Wolf referiu-se a Carlos, um venezuelano, como seu "cliente mais problemático''.

John le Carré deu indícios de que a personagem "Karla'', que aparece em romances como "Tinker, Tailor, Soldier, Spy'' (funileiro, alfaiate, soldado, espião) e "Smiley's People'' (o pessoal de Smiley), havia sido inspirada em Wolf.

Juventude

Nascido em 19 de janeiro de 1923, Wolf fugiu dos nazistas com a família em 1934 e passou a morar na Rússia. O pai dele, Friedrich Wolf, era um médico, dramaturgo e comunista judeu.

Depois da guerra, Wolf regressou para a Alemanha Oriental e trabalhou como jornalista antes de ajudar na organização dos serviços de inteligência.

Com a queda do Muro de Berlim, ele escapou para a Rússia, onde morou durante os anos de 1990 e 1991, até a queda do comunismo soviético.

Após ser condenado devido a suas atividades durante a Guerra Fria, Wolf apelou da sentença argumentando que ela seria um ato da "justiça dos vencedores'' e que ele estava sendo punido pelo mesmo tipo de atividade realizado por agentes do Ocidente.

Em 1995, uma corte alemã concordou com os argumentos dele e decidiu ser injusto punir homens que, como Wolf, realizaram atos legais segundo o governo comunista da Alemanha Oriental. A sentença dele acabou sendo suspensa.

Nos últimos anos, Wolf levou uma vida discreta, concedendo poucas entrevistas e aparecendo raramente em público. Além de sua autobiografia, também escreveu sobre outra de suas paixões - cozinhar. As viagens que realizou em sua época de espião serviram de inspiração para o livro "Secrets of the Russian Kitchen'' (segredos da cozinha russa). Wolf comparava a culinária com a espionagem porque as duas atividades exigiriam habilidade e criatividade.

Até sua morte, ele continuou sendo um membro inativo do partido PDS, que substituiu os comunistas. Quando o chefe dele na Stasi, Erich Mielke, um homem odiado, morreu, em 2000, Wolf preferiu não comparecer ao enterro dele.

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