
A morte de Kim Jong-il "Querido Líder", "Estrela Guia do Século 21" e "Glorioso General que Desceu do Céu", entre 200 títulos oficiais lançou a Coreia do Norte, país comunista e uma das ditaduras mais fechadas do mundo, em um cenário de dúvidas após os seus 17 anos no poder.
A morte e a incerteza sobre o quadro sucessório fizeram a vizinha Coreia do Sul cuja guerra com a do Norte, em cessar-fogo desde 1953, nunca se encerrou oficialmente entrar em alerta e causou apreensão nos EUA, inimigos do regime, em razão do arsenal nuclear norte-coreano.
O ditador, cujo nome se pronuncia "kim djón il" (Kim é o sobrenome), morreu de infarto no sábado, aos supostos 69 anos (não há certeza sobre sua data de nascimento), durante "viagem de inspeção" em seu trem, disse a mídia estatal. Ele já sofrera um aparente AVC em 2008.
A notícia só foi divulgada na madrugada de ontem (horário de Brasília). Horas depois, o partido governista norte-coreano, dos Trabalhadores, e outros órgãos estatais divulgaram nota sugerindo que o sucessor escolhido por Jong-il, seu filho Kim Jong-un, está no comando.
O comunicado chama Jong-un (pronuncia-se "djón un"), terceiro filho de Jong-il os mais velhos se desentenderam com o pai , de "grande sucessor" e "eminente líder do Exército e do povo".
De idade estimada entre 28 e 30 anos, Jong-un também foi designado chefe do comitê que organizará os funerais do pai, marcados para 28 de dezembro. Prevê-se que a cerimônia sirva de demonstração de apoio ao novo líder.
A dúvida de analistas é em que medida Jong-un, preparado para a sucessão desde a época do AVC do pai, mas sem experiência prévia, governará de fato especula-se que seu tio, Jang Song-taek, atual número dois do regime, possa atuar como regente.
Outros especialistas questionam em que medida o poderoso Exército do país e sua elite estão dispostos a aceitar a terceira geração da família Kim no comando o avô de Jong-un, Kim Il-sung, ocupou o poder de 1948 até sua morte, em 1994. Ao todo, a "dinastia" governa há 63 anos.
Logo depois do anúncio da morte do ditador, a agência sul-coreana Yonhap registrou testes de mísseis de curto alcance do lado norte da fronteira. Rotineiros, eles foram vistos hoje como tentativa de sinalizar a estabilidade do governo norte-coreano.
Em visita ao Japão, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, defendeu uma transição "estável e pacífica" na Coreia do Norte. Estima-se que o país tenha matéria-prima suficiente para fabricar oito bombas atômicas.
Mais cedo, a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou um voto condenando as violações de direitos humanos na Coreia do Norte.
Para europeus, país tem chance de mudança
Com o anúncio da morte de Kim Jong-il, os líderes europeus pediram que os norte-coreanos retomem as negociações para parar com seu programa de desenvolvimento de tecnologia nuclear e disseram estar acompanhando a situação do país.
As autoridades alemãs pediram aos sucessores de Kim Jong-il no comando da Coreia do Norte que iniciem um processo de democracia e melhorem as condições de vida da população.
Na França, o ministro das Relações Exteriores, Alain Juppé, manifestou seu desejo de que a Coreia do Norte recupere a liberdade.
"A morte de um homem nunca é motivo de alegria, mas o sofrimento de um povo me entristece", disse Juppé.
O ministro britânico de Relações Exteriores, William Hague, pediu à nova liderança da Coreia do Norte que trabalhe "pela paz e pela segurança na região" e que participe de negociações para o fim das atividades nucleares do país.
Na América do Sul, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, destacou sua "plena confiança na capacidade dos coreanos de conduzir seu próprio futuro para a prosperidade e a paz".



