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Religião

“Não estamos sós na aflição”, diz Bento XVI

Na missa da Sexta-Feira Santa, Papa rebateu questionamentos contra os dogmas da Igreja Católica e falou da crise econômica mundial

Papa Bento XVI durante a Celebração da Paixão de Cristo na Sexta-Feira Santa, no Vaticano | Vincenzo Pinto/AFP
Papa Bento XVI durante a Celebração da Paixão de Cristo na Sexta-Feira Santa, no Vaticano (Foto: Vincenzo Pinto/AFP)

Prestes a completar 85 anos – seu aniversário é no dia 16 deste mês –, o Papa Bento XVI celebrou a Sexta-Feira Santa debaixo de uma sombra de incerteza para a Igreja Católica, confrontada pelo questionamento de seus dogmas em matéria moral e preo­­­­­­cu­­­­pada com a crise econômica que afeta o mundo.

"Em nosso tempo, a situação de muitas famílias se vê agravada pela precariedade do trabalho e por outros efeitos negativos da crise econômica", disse o Papa ao fim da tradicional Via-Crúcis noturna no Coliseu de Roma, que lembra o calvário de Cristo.

O rito foi presidido pelo Papa do terraço do Monte Palatino, em frente ao importante anfiteatro e contou com a participação de milhares de peregrinos que levavam tochas e velas ao redor do monumento romano que rememora o martírio dos primeiros cristãos.

"A experiência do sofrimento e da cruz marca a humanidade, marca inclusive a família; quantas vezes o caminho se faz fatigante e difícil. Incompreensões, divisões, preocupações pelo futuro dos filhos, doenças, dificuldades de tipos diversos", disse.

O rito noturno, transmitido diretamente para diversos países do mundo, foi aberto pelo cardeal viário de Roma, Agostino Vallini, que carregou a cruz na primeira estação, seguido por famílias da Itália, Irlanda, Burkina Faso e Peru.

"Na aflição e na dificuldade, não estamos sós; a família não está só: Jesus está presente com seu amor", disse o Papa. Depois do retorno de sua viagem ao México e a Cuba, o Papa começou na quinta-feira a maratona de celebrações da Semana Santa, a data mais importante do calendário católico, que será concluída com a missa do Domingo de Ressurreição na Praça de San Pedro e a bênção urbi et orbi ("à cidade e ao mundo").

Na quinta-feira, o Papa celebrou a missa pedindo aos cristãos que "se ajoelhem" perante Deus para melhor resistir ao "poder do mal", durante uma cerimônia cujas oferendas serão enviadas aos refugiados sírios.

Durante a missa, na Basílica São João de Latrão, o Sumo Pontífice seguiu a tradição lavando os pés de 12 padres da diocese de Roma, como Cristo fez com seus apóstolos durante a Última Ceia, antes de sua prisão e crucificação.

Mais cedo, durante a Missa Crismal, celebrada na Basílica de São Pedro, a primeira da Quinta-Feira Santa, o Papa condenou os apelos à desobediência, tais como os lançados na Áustria pela ordenação de mulheres.

O Pontífice considerou que a atitude constitui um "impulso desesperado" e não o caminho para a renovação de uma Igreja que está "em uma situação dramática".

"Recentemente, um grupo de sacerdotes de um país europeu fez um apelo à desobediência, também deram exemplos concretos de como expressar essa desobediência", afirmou o Papa para os 1,6 mil cardeais, bispos e padres presentes.

A contestação é a favor da ordenação de mulheres. "João Paulo II já havia declarado, de maneira irrevogável, que a Igreja não recebeu qualquer autorização do Senhor para tanto", disse o Papa.

Segundo Bento XVI, o próprio Cristo havia "corrigido tradições humanas que ameaçavam sufocar a palavra e a vontade de Deus", opondo-se aos sacerdotes judeus de sua época. Mas ele fez isso "para despertar a verdadeira obediência à vontade de Deus".

O Papa negou que a Igreja Romana queira "defender o status quo, o endurecimento da tradição", referindo-se ao Concílio Vaticano II (1962-1965), que marcou a abertura da Igreja ao mundo moderno.

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