
O Vale do Silício às vezes se assemelha ao colegial, com todo o bullying entre alunos.
Essa, pelo menos, é uma lição aprendida no debate sobre o Secret, novo aplicativo social que conecta pessoas anonimamente. O Secret aparentemente colocou o Vale em contato com seu adolescente interior, e tornou-se um pátio escolar virtual para todo tipo de fofocas e criadores de caso dentro da indústria da tecnologia. A resposta tem sido rápida.
Veronica Belmont, divulgadora de vídeos e escritora de tecnologia, desistiu prontamente do aplicativo. "Apaguei o Secret", escreveu ela no início de fevereiro.
Aaron Durand, fotógrafo, logo a acompanhou. "O problema não sou eu, é você", tuitou ele alguns dias depois. Muitos outros se seguiram. "Não preciso desse tipo de ódio em minha vida", me disse um empreendedor.
Se isso é o que ocorre nos templos da tecnologia americana, imagine o que acontecerá quando o Secret e aplicativos similares chegarem aos colegiais e escolas de ensino médio reais. Os fundadores do Secret, Chrys Bader-Wechseler e David Byttow, disseram estar tentando encontrar maneiras de impedir o bullying virtual em seu aplicativo antes de sua adoção pelos mais jovens.
No ano passado, 19 suicídios foram vinculados ao bullying no Ask.fm, site onde pessoas fazem perguntas e comentários de forma anônima. O Ask.fm contratou o Mishcon de Reya, um escritório de advocacia com sede em Londres, para conduzir uma análise independente. O resultado fez o Ask.fm, que fica na Letônia, criar ferramentas que permitem aos usuários desativar perguntas de usuários anônimos, bloquear usuários e reportar conteúdos ofensivos.
Ilja Terebin, do Ask.fm, declarou que a empresa está ciente dos desafios, mas que os jovens precisam de locais para expressar suas opiniões de forma privada. "Por um lado, precisamos entregar um valor a nossos usuários, incluindo liberdade de expressão e uma comunicação irrestrita", disse ele. "Por outro lado, devemos garantir que os grupos mais vulneráveis de usuários recebam apoio e proteção".
Mas como os aplicativos podem oferecer anonimato sem incentivar o mau comportamento? Um novo aplicativo social chamado Facefeed deixa pessoas compartilharem fotos, mas permite que os usuários discutam as fotos apenas em mensagens privadas. O Shots, um aplicativo social para "selfies" (fotos de si mesmo), desistiu totalmente de um sistema de comentários. O Yik Yak, que permite publicações anônimas para amigos, declarou no mês passado que estava banindo estudantes do colegial e ensino médio, e que desabilitaria o serviço em regiões escolares.
O Yik Yak estaria sendo usado para assediar estudantes e fazer ameaças de bomba, elevando a preocupação entre autoridades escolares. Susan Opferman, diretora da Webb Bridge Middle School em Alpharetta, na Georgia, advertiu os pais numa carta: "As publicações no Yik Yak podem ser especialmente perigosas e ofensivas, já que não há como rastrear sua fonte".
O Secret afirmou estar acrescentando recursos que identificam quando nomes de pessoas são digitados, alertando os autores do texto para que "pensem antes de publicar".
Segundo Terebin, serviços como o Secret deveriam criar sistemas de moderação e permitir que os usuários reportem maus comportamentos.
"Isso significa que as empresas precisam investir em seus protocolos de segurança desde o início", explicou ele.



