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Após Lorde, pop vive onda rebelde feminina

Halsey: cantora segue o caminho da neozelandesa Lorde | Jake Michaels/The New York Times
Halsey: cantora segue o caminho da neozelandesa Lorde (Foto: Jake Michaels/The New York Times)

De longe, parece um ótimo momento de amizade e consenso na música pop feminina. Olhem para a atual turnê de Taylor Swift, que inclui participações de Serena Williams, Selena Gomez, Mary J. Blige, Ellen DeGeneres, Lisa Kudrow e Joan Baez.

No entanto, as adesões mais significativas à música pop nos últimos anos foram de cantoras que seguem uma abordagem muito distinta da de Swift. Em 2013, “Royals”, de Lorde, a canção oficial do nu-trip-hop, foi lentamente se tornando um sucesso e colocou a outsider diretamente na corrente dominante.

Como era de se esperar, uma onda de rebeldia feminina está se formando, mais notadamente no pseudo-gótico pop de Halsey e no tímido soul de Alessia Cara, mas também entre cantoras teen e pós-teen que vão encontrando formas atraentes de expressar sentimentos nada atraentes. É o caso dos temas country de Maddie & Tae, de resistência ao mundo masculino

Destas, Halsey parece a mais preocupada com o legado que está herdando. “New Americana”, seu último single, é um estudo cuidadoso da visão de mundo de “Royals”: destacar a falsidade da cultura de celebridades, defendendo a autonomia por meio da juventude e do bom gosto (e, neste caso, das drogas). “Somos a nova cultura americana”, entoa, “Chapados de maconha legalizada/ Criados ao som de Biggie e Nirvana”.

“New Americana” vem de seu primeiro álbum em um grande selo, “Badlands” (Astralwerks).

Halsey, que tem 20 anos, foi uma semiestrela do MySpace e do Youtube antes de ser uma arrivista do pop, mas o que isso significa é que ela tem se equilibrado entre a cultura de massas e a subcultura há anos, e faz isso com maestria. Seja qual for a festa, Halsey já a frequentou. Ela se define como uma personagem que viu de tudo e rejeita tudo.

Em contraste, Cara é tímida. Seu single de estreia, “Here”, é uma das canções mais criativas deste ano, falando de uma festa tão cheia de adolescentes bêbados e fofoqueiros que ela não consegue ficar lá.

A narrativa continua em partes do EP de estreia de Cara, “Four Pink Walls” (Def Jam). Cara tem um rosto angelical demais para ser uma verdadeira rebelde. Sua versão da exclusão é a de uma ingênua, nova no mundo e ainda capaz de ficar chocada. Em “Seventeen”, ela lamenta, surpreendentemente, que deveria ter dado ouvidos a seus pais quando eles lhe diziam para aproveitar seus anos de juventude (ela tem 19 anos agora).

Halsey e Cara têm compatriotas. O sólido álbum de estreia de Bea Miller, “Not an Apology” (Syco/Hollywood), tem toques de Lorde e de Avril Lavigne.

No mês que vem, Meg Myers lançará seu primeiro álbum por um grande selo, “Sorry” (Atlantic), cheio de canções de emoção abrasiva, mas intensamente melodiosas. Afinal, a história do pop é, em grande parte, a história da mercantilização da divergência. O sentimento dos outsiders tem lugar cativo em seu núcleo.

Mas talvez acabar se inserindo não seja tão mal assim. Não vamos esquecer que Lorde também é amiga de Swift e foi convidada a subir no palco com ela. Assim como Lavigne. Quanto tempo vai demorar para essas novas excluídas também se tornarem amigas de Swift?

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