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Crescimento mantém a Polônia longe da Europa Oriental

Empresas vêm para a Polônia atrás de seus salários menores. Um centro de distribuição da Amazon sendo construído perto | Maciek Nabrdalik para The New York Times
Empresas vêm para a Polônia atrás de seus salários menores. Um centro de distribuição da Amazon sendo construído perto (Foto: Maciek Nabrdalik para The New York Times)

Ao leste, a agressão russa paralisou as esperanças de um rápido desenvolvimento econômico da Ucrânia. Ao sul, a Hungria flerta com o autoritarismo e ainda se esforça para superar a última recessão. Ao norte, a Lituânia e os outros Estados bálticos estão sendo espremidos pela escalada de sanções comerciais entre Moscou e a União Europeia.

A Polônia conseguiu navegar com segurança pelas mais recentes provações da Europa Oriental, assim como conseguiu sobreviver à crise financeira de 2008. O país, membro da Otan e da União Europeia, mantém taxas de crescimento sólido, atraiu indústrias e investimentos consideráveis e usou sua relativa força econômica para aumentar sua influência na União Europeia.

Devido ao seu tamanho, o entusiasmo por abraçar o ocidente e seu governo estável, a Polônia tem sido o modelo mais importante da transformação pós-soviética. Agora que a Rússia busca novamente exercer sua influência e grande parte da Europa luta para se recuperar da crise dos últimos anos, a Polônia assumiu um papel maior.

Guindastes de construção se espalham pelo horizonte de Varsóvia. Grandes centros de compras e lojas reluzentes abrem quase todos os dias. Atraídas por salários consideravelmente inferiores aos da Europa Ocidental, muitas empresas multinacionais continuam a investir na Polônia.

Na Europa, praticamente tudo vendido pela Ikea – gigante sueca de artigos para o lar – é fabricado na Polônia. Muitos componentes da Volkswagen são feitos na Polônia. A General Motors possui instalações aqui, assim como a 3M, a Procter & Gamble e outras marcas americanas.

A Amazon está abrindo enormes centros de distribuição. O campus do Google em Varsóvia irá apoiar novas empresas polonesas de alta tecnologia.

Para se precaver contra a pressão russa, a Polônia pressiona a União Europeia a fazer mais do que romper sua dependência do fornecimento de energia da Rússia. As rodadas recentes de sanções e retaliações pela agressão russa à vizinha Ucrânia tem tido impacto relativamente pequeno sobre a economia polonesa

"Houve uma pequena queda nas transações com a Rússia, mas um crescimento de duas casas decimais nas exportações", afirmou Mateusz Szczurek, ministro das finanças, dando de ombros.

A Polônia é a única nação na Europa a ver crescimento em todos os trimestres desde a crise financeira de seis anos atrás, com seu produto interno bruto atingindo agora um patamar 25 por cento superior ao de 2008, enquanto a média da União Europeia permanece abaixo da marca daquele ano. Em 2003, a Polônia exportou US$ 53 bilhões em mercadorias. No ano passado, foram US$ 203 bilhões. E agora, algumas empresas polonesas, como a Grupa Azoty, segunda maior empresa de fertilizantes da Europa, estão investindo em outros países, algo quase inédito há poucos anos.

Ainda assim, há evidências de que a rápida taxa de crescimento pode não ser sustentável.

O crescimento do produto interno bruto da Polônia, que permaneceu robusto nos primeiros anos da crise financeira — 4,5 por cento em 2011, por exemplo, de acordo com o Banco Mundial — diminuiu nos últimos dois anos, para 1,9 por cento em 2012 e 1,6 por cento no ano passado. O déficit do orçamento do governo está em níveis preocupantes e os gastos do consumidor começaram a abrandar.

Stanislaw Gomulka, professor há 35 anos da London School of Economics e antigo conselheiro do governo polonês, foi um dos economistas que moldaram a "terapia de choque" que transformou a economia polonesa após o colapso da União Soviética. Ele diz que as primeiras reformas desempenharam um papel importante na vitalidade econômica polonesa, além da auspiciosa ajuda da União Europeia — cerca de 139 bilhões de euros, ou US$ 180 bilhões, até agora, com 106 bilhões de euros adicionais, ou US$ 138 bilhões, até 2020.

Ryszard Petru, presidente da Associação de Economistas Poloneses, disse que medidas delicadas podem ser necessárias para manter a estabilidade da economia.

"Temos de crescer mais do que 2 por cento ao ano ou nunca alcançaremos os países da Europa Ocidental", ele disse.

E para que isso aconteça, provavelmente será necessário remodelar a economia polonesa, para que ela se torne algo como a Alemanha ou outras potências ocidentais, ao invés de apenas fazer parte da cadeia de abastecimento.

"A Polônia precisa se tornar um país que faz produtos finais, com nossas próprias marcas", disse Petru. "Esse é o desafio dos próximos 25 anos".

Recentemente, Lech Walesa, o operário do estaleiro de Gdansk que levou seu país à independência e se tornou seu primeiro Presidente, encontrava-se em uma área pequena de entrevista do Ptak Fashion City, centro de exposições de 61.000 metros quadrado e templo do design que estava sendo inaugurado ao sul de Lodz, centro têxtil da Polônia.

"Se alguém me dissesse, quando estávamos lutando contra os comunistas, que teríamos um lugar assim na Polônia em 20 anos, eu não teria acreditado", disse Walesa, admirando o capitalismo à sua volta. "Foi por isso que lutei".

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