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O lado atlético do balé, sem nenhum gemido ou reclamação

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O balé parece elegante e espontâneo, mas é, de longe, uma das profissões mais exigentes em termos físicos. Embora todos os bailarinos tenham que estar em boa forma, ter força e disposição, os homens ainda precisam ter um vigor e equilíbrio tremendos para erguer, segurar e carregar as moças nas posições mais estranhas.

Perguntamos a Robert Fairchild, principal bailarino do Balé da Cidade de Nova York, como funciona sua rotina de exercícios e por que os bailarinos não gemem como outros atletas.

Fairchild faz parte da companhia há oito anos e é conhecido por seu desempenho impecável, incluindo o papel de protagonista em "Apollo", de George Balanchine, no ano passado. Além disso, é um dos destaques da produção anual de "O Quebra-Nozes", também coreografada por Balanchine, em cartaz até quatro de janeiro no Lincoln Center.

P. Você poderia nos contar um pouco mais sobre os aspectos físicos do balé?

R. O balé é uma forma de arte, mas não deixa de ser incrivelmente atlético. A diferença é que, no esporte, geralmente você tenta se superar, ir além dos seus limites, e para isso geme e grita, o que, de certa forma, ajuda a manter a motivação. Já nós, no balé, realizamos atividades no mesmo nível, mas temos que encará-las como uma rotina física. E tem que parecer a coisa mais fácil do mundo.

P. E exige o uso de certos músculos mais que outros, por exemplo?

R. Sim, sem dúvida. O trabalho é intenso nas pernas, nos pés e na panturrilha, mas isso antes da parceria, porque aí tenho que fazer esforço semelhante com o tronco. É preciso muita força porque geralmente você também está movendo as pernas e os braços e, no caso dos homens, segurando a bailarina em posições estranhas, ou seja, é preciso flexibilidade para acompanhar a parceira e força para não deixá-la cair.

P. Descreva sua rotina de exercícios.

R. Começo pela manhã "abrindo" a região lombar. É preciso reforçá-la, já que passo quase o tempo todo contraindo o estômago ao levantar a bailarina acima da cabeça — e, para conseguir isso, é preciso combinar o movimento das costas para trás e a contração da musculatura.Então, para mantê-la "aberta", trabalho muito com a bola, rolando de lá para cá.

P. Que tipo de exercícios você faz?

R. Gosto de alongar e me movimentar lentamente. Faço uma variação da posição chamada "cão descendente" na ioga que criei com meu professor de Pilates. Outro exercício que gosto de fazer é com a overball nas costas, assim dá para trabalhar várias áreas do abdômen. Fica mais fácil identificar a musculatura que precisa de manutenção; o abdominal comum não trabalha com regiões específicas, que é o que preciso. Também mexo com a estabilidade dos ombros, fazendo uma variação da flexão para aquecer o tronco.

P. Então o seu foco é no alongamento e aquecimento dos músculos?

R. A maioria das pessoas que vão para a academia primeiro trabalha os músculos e alonga no fim da sessão; já os bailarinos, para conseguirem fazer todas as posições, precisam alongá-los antes. Do contrário, não vão conseguir mantê-las e aí não adianta reforçar os músculos.

P. Você segue uma dieta especial?

R. Grande parte da minha dieta é bem saudável, mas a verdade é que, no meu caso, basta comer. O metabolismo é tão rápido que tenho que ficar beliscando o dia todo.

P.  Existe algum alimento que você gosta de consumir antes ou depois do treino?

R. Eu fazia uma boquinha antes da apresentação, mas era mais um ritual: iogurte grego, água vitaminada, uma banana e uma barra de cereal. Isso só para garantir que teria energia sem me sentir pesado. Cheguei a tomar shakes também, mas aí percebi que ingeria muito líquido. Tive que encontrar uma opção que fosse mais eficiente

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