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arte e design

O mais raro dos raros: uma viola por US$ 45 milhões

Ela poderá se transformar no instrumento musical mais valioso do mundo – uma viola Stradivari, cujo lance inicial está em US$45 milhões para o leilão nesse ano – mas, por apenas um momento, ficou suspensa no ar sem ser segurada.

A viola estava presa firmemente sob o queixo do violista David Aaron Carpenter, que por alguns instantes precisou das duas mãos para ajustar seu arco durante uma apresentação do instrumento. "Não vou cometer outra loucura dessas", afirmou Carpenter. "Esse é provavelmente o instrumento mais caro da história, e não quero quebrá-lo".

Se conseguir se aproximar do preço pedido, a viola ofuscará os recordes anteriores de venda de instrumentos musicais. O violino Stradivari "Lady Blunt" atingiu um recorde em leilões quando foi vendido por US$15,9 milhões em 2011. Embora alguns instrumentos tenham atingido valores mais altos em vendas privadas, acredita-se que nenhum tenha chegado perto dos US$45 milhões pedidos por essa viola, que pertenceu a Peter Schidlof, do Quarteto Amadeus, até sua morte em 1987, na Inglaterra.

O desconcertante lance inicial destaca a forma como os colecionadores vêm impulsionando o preço de instrumentos raros nas últimas décadas.

Violas são geralmente consideradas menos importantes do que violinos – raramente estão em destaque, são tocadas por menos músicos famosos, e possuem menos músicas compostas especialmente para elas. Mas foi precisamente esse perfil que a tornou tão valiosa: embora existam cerca de 600 violinos produzidos por Antonio Stradivari, estima-se que apenas 10 de suas violas tenham sobrevivido intactas.

"O valor é uma combinação de fatores", declarou Tim Ingles da Ingles & Hayday, que está conduzindo o leilão pela Sotheby’s. "Ela é uma Stradivari, feita no melhor período do trabalho do artista, entre 1700 e 1720. Está incrivelmente bem conservada – um dos Strads mais bem conservados que existem. E então, acrescente a isso o fato de que um dos violistas mais famosos do século XX a tocou por mais de 25 anos".

Ingles contou que a viola "Macdonald" – batizada com o nome de um de seus donos no início do século XIX – foi vendida em 1964 por US$81 mil à Philips, a empresa holandesa de eletrônicos, que possuía a gravadora Deutsche Grammophon e comprou o instrumento para Schidlof tocar com o Quarteto Amadeus, grupo que gravava pelo selo (a propriedade da viola acabou passando a Schidlof "por um processo que não compreendemos totalmente", explicou Ingles).

Não se sabe quem poderá oferecer tal soma pela viola, que será exposta em Nova York, Hong Kong e Europa.

Segundo David Redden, da Sotheby’s, o instrumento pode atrair o tipo de comprador que paga milhões por uma moeda. Ninguém tenta gastar uma moeda que vale milhões, mas a viola é destinada a fazer música.

"Quando comparada com a venda de qualquer outra coisa, o leilão de instrumentos musicais e instrumentos de corda é bem diferente", afirmou ele, "pois estes precisam ser tocados".

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