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Obama sofre com conflitos internacionais

Conflitos pelo mundo derrubam aprovação de Barack Obama | Zein Al-Rifai, Agence France Presse — Getty Imagess
Conflitos pelo mundo derrubam aprovação de Barack Obama (Foto: Zein Al-Rifai, Agence France Presse — Getty Imagess)

Pouco depois de um avião de passageiros ter explodido e caído na Ucrânia, piorando a situação já delicada entre os EUA, a Europa e Rússia, o Presidente Obama voltou a falar sobre a Síria.

O voo da Malaysia Airlines pode ter sido abatido por um sofisticado sistema antiaéreo em posse dos insurgentes, que confundiram o avião com uma aeronave de transporte militar. Em conversa com assessores, o presidente disse ser essa a razão pela qual se recusou a enviar armamento antiaéreo aos rebeldes sírios. O risco é maior quando esse tipo de arma não está sob o controle do governo.

Poucas vezes um presidente americano se viu às voltas com tantas crises políticas internacionais ao mesmo tempo – na Ucrânia, na Síria, no Iraque, em Israel, no Afeganistão e mais um punhado de lugares.

Esses conflitos podem ser atordoantes. Obama pressiona a Rússia a parar de fomentar uma guerra civil virtual na Ucrânia ao mesmo tempo em que tenta colaborar com Moscou em uma campanha para forçar a diminuição do programa nuclear no Irã. E mesmo pressionando o governo iraniano, está ao lado de Teerã no combate à insurgência sunita no Iraque.

E agora há o conflito em Gaza. Enquanto apoia o direito de defesa de Israel contra os foguetes do Hamas, envia seu Secretário de Estado, John Kerry, para, juntamente com o Egito, tentar um cessar-fogo.

O mesmo Egito que sofreu um corte no auxílio financeiro quando seus atuais líderes tomaram o poder por meio de um golpe militar.

Não é de espantar, então, que o presidente pareça estar sofrendo um açoitamento político.

"Vivemos em um mundo complexo, numa época cheia de desafios", disse recentemente após um pronunciamento no qual falou sobre Ucrânia, Gaza, Irã e Afeganistão, tudo isso em um espaço de sete minutos. "E nenhum deles possui uma solução rápida e fácil".

Sua abordagem da política internacional transformou-se em prejuízo político e é alvo de críticas por parte de republicanos e até mesmo de democratas. Na última pesquisa de opinião feita pelo NewYork Times/CBS, 58 por cento dos americanos desaprovam suas atitudes, um aumento de dez pontos percentuais em um mês, o maior número em seus cinco anos e meio de presidência.

Mesmo assim, as pesquisas mostram que a população não quer que o país se envolva mais profundamente com questões na Ucrânia e no Iraque, o que indica que ele está mais em sintonia com o desejo popular do que seus críticos, mesmo que sua liderança esteja sendo questionada.

"Só porque há vários desafios pelo mundo, isso não nos obriga a tomarmos uma atitude com relação a um deles apenas para marcar presença", disse Benjamin J. Rhodes, assessor de segurança nacional. "Cada um precisa ser tratado com cautela".

A confluência de crises parece desafiar Obama: ele vem tendo que pressionar a chanceler alemã Angela Merkel para exigir uma resposta europeia mais dura contra a agressão russa logo agora que o relacionamento entre os dois anda novamente abalado com a descoberta de espionagem americana na Alemanha.

Ao mesmo tempo em que tenta organizar a Europa contra a Rússia, Obama procura gerenciar o descontentamento dos europeus com relação aos ataques de Israel a Gaza. Também está tentando evitar a bagunça no Afeganistão gerada por uma eleição disputada e argumenta que não cometerá os mesmos erros pelos quais já foi criticado, quando retirou todas as tropas do Iraque.

Além disso tudo, também convocou líderes da América Central para pressioná-los, exigindo o fim do fluxo de crianças que se dirigem ilegalmente para o Texas.

Vários integrantes de sua administração temem que, com tudo que está acontecendo, a guerra civil na Síria tenha ficado em segundo plano.

Essa enxurrada de crises reflete tendências maiores, de acordo com Richard N. Haass, presidente do Conselho de Relações Internacionais. A Guerra Fria exibia relações claras, mas essa estrutura não existe mais. "Então o que há são os relacionamentos em que pode haver cooperação com certos países, em certas questões, em certos dias da semana", disse ele. "E é possível discordar de outras questões, em outros dias da semana, ou simplesmente fazer as coisas de forma independente".

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